REFLEXÃO.
O QUE É UMA FAMÍLIA?
Busquei a vida inteira até os 80 anos de idade, e não consegui agora percebo todos estão contra há mim. Chego à conclusão que único errado sou eu. Que provoquei tudo com a minha depressão. Este documentário está sendo fechado.12/10/2022! Por incrível que pareça nesta data que é dia das crianças eu não tive o direito de abraçar ninguém alem de criança deficiente mental que me adora!
No ano de 2020 passamos por vários desafios marcantes, já foram cancelados aproximadamente 200 mil títulos de eleitores perdidos pela morte provocada pelo corona-virós. Será que você está mesmo preocupado com quem será o presidente que nunca mais vai se lembrar de você antes da próxima eleição se o Bolsonáro passou quatro anos fazendo promessa e não e fez nada.
Afinal há uma contradição, se o voto é um direito deixa de ser uma obrigação se eu resolver ir pescar no dia da eleição a multa custa menos que um picolé, vale apena você se arriscar a contaminar na fila com corona? Afinal a resposta para a incompetência a gente dá é nas urnas. Vá pescar!
Este documentário teve seu início em 30 de agosto de 1942. Quando nasceu o terceiro filho de Diolinda Maria de Souza, e Olímpio Batista Leite em uma escala de nove irmãos que levou o nome de Gercir Palmério de Oliveira. Este nome teve a composição de Palmério por parte do meu avô materno e Oliveira do meu avô paterno. Éramos uma família de camponês muito pobre que vivia do trabalho na agricultura.
O tempo perguntou ao tempo. Que tempo que o tempo tem. O tempo respondeu. Espera que o tempo invem. Com dois anos de idade o meu computador mental já registrava os primeiros acontecimentos, eu me recordo dos meus cabelos castanhos aloirados e longos e eu já fugia de casa indo me esconder na casa de meus tios enquanto minha mãe me procurava pelo quintal.
O meu pai era muito habilidoso no manuseio com madeiras e improvisava os nossos brinquedos fazendo carrinhos de madeiras, as rodas eram feitas com carretel de linhas e a carroceria era feita com latas de sardinhas. O meu pai usava uma madeira que já está extinta no mercado brasileiro, com o nome de canjerana era uma madeira vermelha macia e muito cheirosa.
No final da década de quarenta fomos morar no município de
matutina e até esta época ninguém tinha certidão de nascimento. Foi quando o
meu pai aproveitando de uma campanha política resolveu fazer um registro
coletiva ficando uma grande parte da família como se fosse nascido em Matutina
e não em São Gotardo.
Recordo-me que meu avô paterno, nos seus últimos anos de
vida, já estava paralítico e se movimentava em uma cadeira de rodas. Ele era um
pouco calvo, cabelos brancos e barbas longas. Era muito parecido com o famoso
barão estampa da moeda da época. Morreu por volta de 1945. Em 1948 a gente já
contava com seis irmãos.
Como não éramos donos da terra estava sempre mudando
enquanto por outro lado, os latifundiários sugavam o suor dos trabalhadores no
campo. Mas imperava a pobreza absoluta e quanto maior a quantidade de filhos,
maior era a lucratividade dos fazendeiros, porque o trabalho das crianças não
era remunerado.
Eu nunca tive a oportunidade de saber o verdadeiro grau de
estudo de meu pai, mais pela letra muito bem traçada em seus manuscritos e pela
sua inteligente, ele dizia que o homem só era respeitado pelos seus
conhecimentos.
Por volta de 1955, como os meus pais não tinham meios para sobrevivência na cidade, acabamos indo de novo para o trabalho braçal, só que desta vez fomos para a lavoura de café, na região de Campos Altos e Cachoeirinha. Mais uma vez fiquei doente e de novo a falta de médicos me levou a curandeiros, desta vez foi o sarampo que quase me deixou cego. Voltei a ter alucinações.
Em certo dia eu estava acamado e muito doente quando um
gato preto pulou em cima de minha cama, eu odiava gato preto. Peguei o bicho
pelo rabo e atirei contra a parede, escutei miado assustador o bichano
desapareceu.
E a ele que em todos momentos das noites mal dormidas fico pedindo, conselhos para que possam solucionar os meus problemas. Mas como surgiram os meus problemas e quais são eles? Existem problemas que não tenham solução? A partir de quando eu perdi a minha estrada ficando preso a uma encruzilhada sem saída.
Eu sei que não cheguei a este mundo por acaso. Eu devo ter uma missão a cumprir. Será que vou passar pela vida sem saber qual o meu papel a ser cumprido; eu só posso contar com um ser superior para mostrar qual o caminho a seguir, mas de tanto pedir, chego a pensar que não mereço esta resposta.
Quando eu busco no meu passado aquela pequena trilha por onde eu comecei os meus primeiros passos, eu começo a perceber o quanto a minha caminhada foi longa e cheia de tropeços. Isto me leva a crer que há um ser muito poderoso acompanhando meus passos, caso o contrário, já poderia ter ficado pelo caminho como tantos outros.
Mas eu estou tentando descobrir porque procurei tanto a felicidade em tudo àquilo que faço e tropecei em todos os momentos. Eu não acredito no acaso ou será que todos nós já nascemos predestinados a ser ou não felizes, não poderíamos mudar o caminho no meio da estrada. O meu amanham há Deus pertence. PALMÉRIO 80 anos de janela nesta longa estrada da vida.
Tem gente que fica procurando lá fora, o que perdeu em casa. Tenta substitui por animais, plantas, crianças na rua, ou conversando com Deus durante a solidão. Vem o desespero e a depressão. A gente vai se distanciando das pequenas coisas que realmente fazia toda a diferença eu olho para traz e choro! Eu era feliz e não sabia. Valeu a pena! Que pena! Muita saudade ficou.
A quem pertence à vida e quem tem o direito de tira-la. A vida foi dada por Deus, portanto somente ele tem o direito de determinar quando será o seu fim. Viva intensamente a cada segundo de sua vida, pois a morte poderá chegar quando você pensa estar muito feliz.
Viver é amar e ser amado, ser feliz e fazer as pessoas que relaciona com você viver feliz, ter com quem conversar, se reunir em família, conversar e sorrir. O que sempre busquei na vida foi ser respeitado e não temido.
Quando você não tem mais com quem conversar, quando você perde o seu espaço, quando você perde a fé o amor à esperança, você está morto e não percebeu. Eu já estou tentando sair do buraco em que cai e nem percebi que a vida passou.
O que penso sobre estrelismo.
Eu nunca dei colher de chá para o estrelismo; sempre tratei há todos os níveis sociais com o mesmo respeito. Estrelas eu gosto muito daquela que brilham em nosso universo. Quando as pessoas pensam que para subir e necessário pisar no seu ombro para galgar os degraus de sua escada se eu poder-me “falsear” para ver o seu tombo, pode ter certeza que eu não vacilarei.
Os falsos amigos.
O que realmente é importante não é a quantidade de falsos amigos, e sim a lealdade dos verdadeiros. Dizem os mais críticos que amigos de verdade podem ser contados nos dedos; até mesmo porque no fim de sua vida você só precisa de quatro, é um para cada alça do caixão.
O mundo termina todos os dias para milhares de pessoas que morem; uns vivem mais outros menos; é a lei da natureza para a renovação da espécie humana. Sorte daqueles que consegue deixar o seu nome na história. Aqui também é preciso escolher um lado para se projetar, uns praticando o bem e outros infernizando e tocando o terror.
COMO SERÁ O MUNDO DEPOIS DO CORONA?
Haverá um amanhã
com beijo e abraços? Ou seremos mascarados para sempre! Como fica o nosso
sorriso escondido pela máscara?
As pessoas
do grupo de risco, na terceira idade não restou uma esperança de voltar o que
era antes desta pandemia! Fazer reunião em família abraçar nossos filhos.
Esta
porcaria desta pandemia tudo indica que vei pra ficar. Já estou beirando aos 78 anos de uma longa estrada da vida.
Que pena eu não tenho tempo para esperar!
Ou estou
completamente enganado! O amanhã há Deus pertence e eu não tenho pressa
para morrer.
03 de agosto
foi a data que morreu meu sogro em um acidente de moto em Goiânia por incrível
que possa parecer na mesma moto morreram o meu sogro e 02 irmãos.
O terceiro
dos irmãos recuperou a moto e também morreu acidentado. Apesar de ser o mês do
meu aniversário hoje foi um dia de terror na minha vida. Palmério.
Eu nasci em plena guerra mundial. Por tanto acho que sou aquela bomba que não detonou; porem o estopim está queimando há a mais de setenta anos, nos caminhos por onde passei, podem dizer que tudo eu vi, mais nada eu sei.
Esta mesma caneta foi dada de presente para Tancredo que, na missa que antecedia sua posse acabou sendo vítima de uma Diverticulite bem parecida com uma “calibre doze”, cuja sua morte foi com data escolhida, mais um mártir da vida, só uma pergunta ficou.
Quem matou? Ouvindo a BBC de Londres, a voz da América e a Rádio central de Moscou,
entre outras, esta foi a notícia que ficou. “No atentado em que foi vítima o presidente Brasileiro, Tancredo de Almeida Neves, Também morreu seu segurança” também significa que o presidente estava morto?
Dos presentes, a quem interessava a morte do presidente? Eu só sei que de todos que estavam presente entre outro o seu neto, Aécio Neves, nada foi ventilado tudo foi preparado, enganaram tanta gente, silenciaram a imprensa, levaram o idoso para a emergência, mais Sarney é quem foi o presidente.
Ulysses Guimarães foi explodido sem dó tudo indica que tinha uma carta bomba no bolso do paletó, o homem das diretas já, fez sua última viajem, desapareceu como se tivesse evaporado no mar.
Este nome teve a composição de Palmério por parte do meu avô materno e Oliveira do meu avô paterno, este fato aconteceu em um lugarejo chamado capelinha do abaeté no município de São Gotardo estado de Minas Gerais; eramos uma família de camponeses muito pobre que, que vivia do trabalho na agricultura.
Com dois anos de idade o meu computador mental já registrava os primeiros acontecimentos.
Eu me recordo dos meus cabelos castanhos aloirados e longos e eu já fugia de casa indo me esconder na casa de meus tios enquanto minha mãe me procurava pelo quintal de casa.
Eu nunca tive a oportunidade de saber o verdadeiro grau de estudo de meu pai, mais pela letra muito bem traçada em seus manuscritos e pela sua politização se percebia que ele era muito inteligente, sempre dizendo que o homem só era respeitado pelos seus conhecimentos.
Eu não cheguei a conhecer a minha avó paterna. Já o meu avô materno era muito sistemático e impunha o respeito. Além de agricultor, era caixeiro viajante. Ele tinha um bom carro de boi, no qual levava produtos da agricultura para a região de Uberaba e voltava com o carro cheio de roupas, tecidas e utensílios domésticos.
Quando o meu avô faleceu em 1956, a minha avó passou a morar com os filhos até sua morte em 1962. Por volta de 1946 a gente tinha uma criação de cabras, porcos e galinhas que ajudava na nossa alimentação. O meu pai me colocava na garupa de um cavalo e me levava para a roça e por lá a gente ficava a semana inteira. Com quatro anos de idade eu já buscava água em uma cabaça para matar a sede dos outros que estava trabalhando na lavoura.
Em 1948 a gente já contava com seis irmãos; como não éramos donos da terra estava sempre mudando enquanto por outro lado, os latifundiários sugavam o suor dos trabalhadores no campo. Mas imperava a pobreza absoluta e quanto maior a quantidade de filhos, maior era a lucratividade dos fazendeiros, porque o trabalho das crianças não era remunerado.
No final da década de quarenta fomos morar no município de Matutina e até esta época ninguém tinha certidão de nascimento. Foi quando o meu pai aproveitando de uma campanha política resolveu fazer um registro coletiva ficando uma grande parte da família como se fosse nascido em
Por volta de 1950, eu tive uma desidratação quase fatal. Por falta de médicos e excesso de crendice, os meus pais começaram a me levar em curandeiros e charlatões. Tinha nesta fazenda certa vizinho, que se atendia pelo nome de Farnésio, que se dizia ter um pacto com o diabo e começou a fazer garrafada dizendo que ia me curar usando a sua feitiçaria. Nesta época morando em uma fazenda chamado barro preto.
O meu pai era muito habilidoso. No manuseio com madeiras e improvisava os nossos brinquedos fazendo carrinhos de madeiras, as rodas eram feitas com carretel de linhas e a carroceria com latas de sardinhas.
O meu pai usava uma madeira que já está extinta no mercado brasileiro, com o nome de canjerana era uma madeira vermelha e muito cheirosa com a qual ele fazia nossos brinquedos.
Eu cheguei à espora no cavalo que passou a galopar, só indo parar no curral de minha casa. Foram vários casos de alucinações que permanece a dúvida em minha cabeça porque eu não consigo imaginar isto como um fato real Já com oito anos, morando na roça, em um passado tão distante, escola era um luxo que só quem morava na cidade tinha direito.
No começo de 1950 fomos morar em uma pequena cidade chamado Pouso Alegre, que fica entre o Rio Parnaíba e Arapuá. Morando na cidade e indo trabalhar na agricultura era muito difícil.
Nesta época eu fui trabalhar em um engenho que fabricava rapaduras. Distante dos pais, eu passava a maior parte do tempo em um rancho improvisado, cercado por lobos que uivavam a noite inteira na beira do rancho de pau a pique.
Ainda não tinha nove anos eu era incumbido de levantar às duas horas da madrugada e sair descalço, enfrentava a geada e os lobos em busca de um cavalo e dos bois para iniciar a jornada no canavial, o único alimento possível neste horário era um ovo frito com farinha, para ganhar dois mil réis por mês.
Mais uma vez fiquei doente e de novo a falta de médicos me levou a curandeiros.
Desta vez foi o sarampo que quase me deixou cego. Curiosamente voltei a ter alucinações. Em um certo dia eu estava acamado e muito doente quando um gato preto pulou em cima de minha cama, eu odiava gato preto. Peguei o bicho pelo rabo e atirei contra a parede.
Eu tinha apenas 13 anos de idade já buscava a minha independência. Com tantos problemas pela frente, tais como viver longe de meus pais e meus oito irmãos, foi tudo muito sofrido, mas buscar socorro e o crescimento intelectual era primordial e tinha um preço a pagar.
Em plena adolescência quando aflorava a vaidade, consegui emprego em uma lanchonete e depois, aprimorando os meus relacionamentos, fui trabalhar como cobrador do ônibus que fazia a linha de São Gotardo a Campos Altos.
Como todo adolescente, passei por todas as tentações do mundo. Fiz muitas besteiras que poderia ter evitado, caindo para aprender a levantar e apanhando para aprender a bater. Respeitando o orgulho que meus pais tinham dos filhos, honrando a tradição de uma família conhecida pela sua honestidade.
Não tinha nada além de uma caminha velha e uma torneira do lado de fora, que era usada para colocar a mangueira e lavar os carros. Para tomar banho eu usava uma bacia e para aquecer a água eu improvisei uma resistência isolada de um chuveiro e ligada em uma tomada.
Então eu colocava dentro da bacia e quando aquecia eu desligava.
Sozinho no mundo eu não podia nem mesmo, tentar localizar os meus pais em outro estado, eu seria um alvo fácil para a fiscalização porque não podia viajar desacompanhado. A lembrança e a saudade me consumiam a ansiedade para me libertar e poder sair pelo mundo em busca de outras conquistas alongavam o tempo e os dias não passavam. Como eu só podia pensar em sair pelo mundo quando documentado.
Comecei a me preparar para isto, passando a conviver um pouco mais em sociedade e participando ativamente da campanha política que, com a famosa vassourinha, elegia em seguida o Jânio da Silva Quadros a presidente da república. Enquanto aguardava ansiosamente a maioridade, eu não podia vacilar, levava uma vida bem retraída e limitada.
E assim aconteceu. Mais uma vez a sensação de perda dos amigos que me ampararam na ausência de minha família e até mesmo o medo de enfrentar sozinho o desconhecido mundo novo que começaria a partir daquele momento.
Eu saí com destino a Uberaba, para de lá pegar um ônibus para Brasília. Quando cheguei a Uberaba, o ônibus já havia partido. Eu peguei um táxi para alcançá-lo em Uberlândia, me lembro bem, foi um cinca chambord.
Embarcando em direção a Brasília em um ônibus lotado, sentado em uma caixa de ferramentas no meio do corredor. Resolvi pernoitar em Goiânia. Indo em seguida para Brasília. Na década de sessenta aconteceu quase de tudo em minha vida. Eu fui o vilão e o mocinho ao mesmo tempo.
Quando eu cheguei a Brasília comecei a sentir o peso da responsabilidade, fui morar em uma pensão feita pelos chamados candangos na cidade livre, que era uma verdadeira favela.
Toda feita em madeiras sem nem uma estrutura básica, com os ratos passando por cima da cabeça, e convivendo com todo tipo de gente. Eu não tinha nem uma reserva financeira e precisava urgente de conseguir um trabalho para me manter.
Comecei desesperadamente procurar por um emprego. Os dias foram passando e o dinheiro acabou eu fui obrigado a deixar a pensão e sair com a mala na mão em busca de um abrigo.
Perambulando pela cidade por coincidência me deparei com Geraldo Magéla; um grande amigo e conterrâneo, que estava trabalhando em uma banca de jornal, confidenciei a minha situação e pedi para me deixar dormir ali na banca dele.
Continuei a perambular pela cidade batendo de porta em porta em busca de algum tipo de serviço, porque eu precisava me alimentar. Em um alojamento de uma construção eu conheci uma paulista de bom coração que tinha um restaurante popular para servir os peões da obra.
Após dizer a ela de minhas dificuldades solicitei que deixasse lavar as louças em troca de um prato de comida. Ela me ofereceu que eu passasse a me alimentar ali e quando eu começasse a trabalhar eu pagava para ela. Eu almoçava, e a noite tomava uma sopa.
Com o problema resolvido provisoriamente pernoitando na banca de jornal sem cama nem coberta as noites se tornavam longas e frias, o que me levava à saudade do calor de minha família e caia no desespero. Afinal eu não desistia e mais um dia a perambular pelas a cidade em busca de emprego.
Certo dia andando pelo aeroporto de Brasília, deparei-me com um senhor que acabava de desembarcar de um voou chegando de São Paulo. Este senhor me indagou, se eu conhecia bem Brasília, respondi afirmativamente.
Ele contratou o meu dia de serviço como guia, após andar com ele o dia inteiro em um carro alugado. De volta ao aeroporto eu já havia confidenciado a ele as minhas dificuldades na cidade de Brasília
Com esta injeção de ânimo eu voltei para o barraco cheio de planos, pedi para um amigo para que deixasse tomar um banho lá no seu apartamento, tirei da mala um terno amarrotado e levei ao tintureiro e pedi que desse um trato.
Em certa noite frequentando a boemia da cidade eu fui convidado para gerenciar uma boate, acertado as condições de trabalho eu comecei imediatamente, mais o preconceito era muito grande e eu precisava de um registro em carteira, resolvi acumular trabalho fui trabalhar também como balconista de um bar, este sim foi meu primeiro registro em carteira.
com o dinheiro em abundância começou também a ganância e eu comecei a voar mais alto. O dono daquela banca de jornal que me serviu de abrigo resolveu ir embora para São Paulo e me ofereceu se eu não queria ficar com a banca, eu aceitei de imediato.
Com mais experiência eu fiquei um pouco mais esperto, eu fui orientado por um amigo, que a maioria dos apartamentos funcionais do setor J.K.Eram invadidos.
Isto me incentivou fazer o mesmo. Este amigo me ajudou invadir o apartamento vizinho ao seu, resolvendo assim o meu problema de moradia, mas a minha vida de boemia extrapolava.
Em certa noite eu cheguei em casa em um estado de embriaguez, a ponto de ter o apartamento invadido por ladrões que levaram tudo, sem que eu percebesse Nada. Só não levou o dinheiro porque estava em baixo do travesseiro. Convivendo com funcionários do Governo eu acabei conseguindo uma vaga no restaurante do Ministério do Trabalho.
O meu relacionamento na área do governo acabou me oferecendo um vasto campo de conhecimentos e oportunidades, trabalhando no ministério do trabalho e cuidando da banca de jornal eu percebi que poderia ir mais longe.
Trabalhando no ministério e com um garoto cuidando da banca de jornal e administrando outros trinta funcionários. Eu usava e abusava do dinheiro, chegando a ganhar trinta salários por dia e proporcionando um ótimo salário para os meus vendedores que eram comissionados.
isto fez com que eu me relacionasse com altas patentes da sociedade, morando em um apartamento convivendo com a alta cúpula do governo e com a situação financeira e social bem resolvida. Eu tinha as portas abertas por onde passava.
A pressão dos aliados do seu opositor de campanha, o general Lote, era insustentável, o grande erro do governo Jânio Quadros foi principalmente, baixar o salário dos militares; depois, mandar de volta os candangos para suas cidades de origem, parando quase todos os canteiros de obras de Brasília.
Como eu trabalhando com a imprensa escrita, comecei a perceber que o que estava sendo publicado não correspondia com os verdadeiros fatos que estava acontecendo. Começou uma verdadeira recessão, o dinheiro desapareceu do mercado, as forças armadas começaram a se preparar para uma possível guerra civil, o pessoal que estava alistado para o serviço militar começou a serem convocados inclusive os dispensados como no meu caso, e ninguém queria servir de bucha de canhão.
O senhor Jânio da Silva Quadros presidente da república, estava lendo a carta de renúncia de maneira no mínimo estranha, em frente um pelotão de fuzilamento armados até os dentes; ele mesmo declarou mais tarde que forças ocultas tiraram-no do poder.
A partir deste momento os generais tentaram assumir o poder em lugar do vice-presidente João Goulart, legitimamente eleito pelo povo. A resistência para sufocar a tentativa de golpe militar foi imediata, enquanto isto o presidente da câmara Ranieri Mazille assumia interinamente a presidência da república na tentativa de evitar que os aliados de João Goulart se fortalecessem na união contra o golpe militar.
Leonel Brizola, que na época liderava a região sul do país formou uma frente de oposição contra a tentativa de golpe dos militares, mais como se comunicar com o resto do país em pleno estado de sítio, as garantias fundamentais foram cerceadas e o toque de recolher tomou conta do Brasil, todas as pessoas que se reunissem nas ruas, eram presas como agitadores e subversivos.
Com isto manter firme a sua posição de liderança para colocar no poder o legitimo mandatário o vice-presidente João Goulart. As forças armadas por sua vez reforçaram o cerco fechando Brasília por terra e ar, ninguém chegava ou saia sem passar pela rigorosa vistoria.
Estava tudo armado, Brasília seria o palco da tragédia sanguinária que estava para acontecer. O confronto se tornava inevitável, até que o Leonel Brizola juntamente com o Mauro Borges então Governador de Goiás tomaram uma decisão corajosa, resolveram atacar os opositores das forças armadas que estava a favor da ditadura e deram posse ao João Goulart.
O que veio a seguir foi uma das partes mais emocionante que eu poderia presenciar em toda a minha vida, mais não faz parte da história deste país, quando sobrevoavam Brasília tentando ordem para aterrissar foram avisados que seriam abatidos.
Neste momento aconteceu à insubordinação os comandados viraram contra os seus comandantes e mantendo-os sobre a mira tomaram a torre do aeroporto e autorizou o pouso.Uma euforia tomou conta do país e as forças aliadas sufocaram a tentativa de golpe, em poucos minutos a população já tomava conta de Brasília, formaram uma verdadeira carreata para acompanhar o cortejo até o palácio da alvorada e em seguida dando posse ao novo presidente.
que em seu discurso tranquilizou o povo brasileiro e pediu o retorno à normalidade. Os generais não se deram por derrotados e enquanto Jango começava articular o seu plano de governo, as forças armadas mais do que nunca, colocavam em prática o mirabolante plano de uma tomada do poder.
Silenciosamente para não cometer o mesmo erro, começaram a juntar os cacos do que restou e lentamente iam mostrando que era apenas uma questão de tempo. Por outro lado o governo de Jango ganhava cada vez mais popularidade na área social, a política implantada por João Goulart era muito mais do que o povo esperava de Jânio da Silva Quadro.
Jango era a pessoa certa para continuar a sucessão das obras deixadas por Juscelino. Nesta altura eu era mais uma vítima da recessão, a situação financeira já não era das melhores e Brasília com a pressão da guerra fria provocada pelos generais, não era mais um lugar seguro para se viver.
Para completar a minha insegurança o meu nome fazia parte da lista para servir o exército, eu resolvi usar o meu círculo de amizade para buscar uma alternativa que não fosse o serviço militar. Até mesmo porque eu teria que abandonar tudo para perder um ano no exército e eu jamais me colocaria ao lado das forças armadas, contra a democracia.
De qualquer forma eu teria que abandonar tudo que havia conquistado em Brasília. Depois de mais de três anos distante de minha família eu acabei resolvendo articular o tão esperado reencontro. Quando os meus pais mudaram de Minas para Goiás, eles foram para o município de Rubiataba, a localização não foi tão difícil.
Depois de tantos anos distantes dos meus pais tivemos um reencontro muito emocionante. Mais eu não conseguia me adaptar com a vida pacata lá da roça e logo começou o grande problema. O dinheiro estava acabando e eu precisava dar um rumo para minha vida, afinal eu era considerado um desertor do exército que poderia ser preso a qualquer momento.
Um dia eu arrumei uma confusão com o delegado da cidade que se achava dono da verdade, como eu não sou de levar desaforo para casa, resolvi dar uma mãozinha ao prefeito da cidade, que era amigo da família, fizemos um abaixo assinado para substituir a cúpula da polícia que não passava de um grupo de pistoleiros.
A desavença com este tipo de gente no norte de Goiás era morte certa, agora eu tinha um verdadeiro motivo para colocar de novo os pés na estrada e mais uma vez a triste despedida da família, saí sem destino certo, porém, com uma certeza.
Eu tinha que chegar em Goiânia e passar na no C.R.M para entregar o abaixo assinado pedindo a substituição do delegado e todos os seus comandados por completa incompetência e pela prática de coronelismo em Rubiataba Goiás.
Eu pernoitei na cidade para organizar as minhas ideias, durante a noite eu conferi o bolso para saber que rumo a tomar, porque o dinheiro estava acabando
Resolvi embarcar de trem para São Paulo que era mais econômico. Quando cheguei à estação da luz em São Paulo o dinheiro que eu tinha era o suficiente para pagar uma passagem no transporte coletivo.
Eu caminhei a esmo até o Anhangabaú, peguei um ônibus com destino ao lago de pinheiros, com uma mala nas mãos e fui à luta imediatamente em busca de emprego, subi a rua Teodoro Sampaio batendo de porta em porta em busca de algum tipo de trabalho que eu pudesse fazer. Afinal eu tinha que recomeçar tudo da estaca zero.
Mais o destino me reservava uma grande surpresa, ao entrar em uma panificadora na maior cidade da América Latina me deparei com Geraldo Magela. Coincidência ou não, a mesma pessoa que havia me socorrida naquela banca de jornal lá em Brasília, voltava a me socorrer em São Paulo.
São muitas as coincidências, éramos da mesma cidade São Gotardo em Minas Gerais. E o encontrei por acaso em Brasília depois encontrei de novo em São Paulo, o nosso elo de amizade era muito grande, sempre que mudava de cidade o destino se incumbia do nosso reencontro. Nesta mesma panificadora ele me arrumou emprego e em uma pensão ao lado eu consegui cama e comida.
Como a minha vida de solitária não me oferecia estabilidade, eu acabei resolvendo acreditar nesta relação, fiquei por algum tempo morando em Uberlândia. Quando voltei para São Paulo fui trabalhar de novo no mesmo emprego que havia abandonado antes.
Namorando por correspondência, fiquei noivo e comecei a montar uma casa, comprei o mínimo necessário e marquei o casamento. Nesta época o fato mais marcante que aconteceu na política internacional foi o assassinato do presidente Kennedy em Dallas nos Estados Unidos. Quando viajei para o meu casamento ao chegar em Uberlândia, encontrei a minha noiva de luto.
Fazia um mês que seu pai havia morrido em um acidente de moto em Goiânia. Foi um casamento sem festa e em seguida a lua de mel literalmente feita de trem, fomos para São Paulo e em seguida pegamos o trem para Santos, viajar de trem nesta época era uma opção bem emocionante, descer de trem a serra de Santos era um verdadeiro luxo.
O casamento transformou a minha vida, saiu de Sena o boêmio aventureiro e deu lugar a um homem responsável de pés no chão em busca de um futuro. O meu casamento aconteceu em mil e novecentos e sessenta e quatro.
Em seguida o presidente João Goulart anunciou uma série de medidas sociais, entre elas o aumento de cem por cento no salário mínimo. Isto foi a sua sentença de morte, os militares só estava esperando uma oportunidade para uma tomada de poder, o golpe militar aconteceu de surpresa, a partir deste momento começaram a mandar para o exílio todos que pudesse contrariar a ditadura militar.
entre eles Juscelino Kubitschek, João Goulart, Leonel Brizola e vários outros. durante todo o tempo da ditadura o que presenciamos neste país foi uma verdadeira carnificina, todos que tentava se rebelar contra o sistema ou eram mortos ou expulsos do Brasil.
Juscelino; acidente ou atentado? Afinal ele acabava de voltar do exílio com a popularidade em alta, ele tinha tudo para retomar a liderança política do país. Acabou ficando como acidente, de um motorista imprudente que enfiou o seu carro contra um ônibus da cometa em sentido oposto na Dutra.
O João Goulart que foi encontrado morto quando preparava para voltar do exílio para o Brasil e nunca investigaram corretamente a sua morte há uma grande suspeita que seja causada por envenenamento.
O grande poder que foi dado aos carrascos da ditadura pela anistia; preferiram colocar panos quentes. Tancredo de Almeida Neves foi o fato mais curioso e muito mal esclarecido foi a diverticulite com cara de calibre doze que aconteceu com o presidente na missa da posse quando saia da Igreja lá em Brasília.
Outro grande mistério foi o caso do Ulisses Guimarães que ficou conhecido como, diretas já que teve o seu helicóptero explodido quando viajava com a esposa para Angra dos Reis no litoral brasileiro, o seu corpo não foi localizado.
O maior destaque na época foi o assassinato do presidente Kennedy e de Luther king, a chegada do homem à Lua, até que começasse a aparecer alguns mais afoitos, como o então sindicalista Luiz Inácio da Silva que acabou incorporando no seu nome Lula.
Durante a década de sessenta eu me dediquei à profissão de padeiro chegando a ter o mair salário da cidade de são paulo. No final da década de sessenta fui trabalhar na área de vendas, fui muito bem sucedido tendo chegado a ser homenageado como campeão nacional de vendas pela Britânica.
Logo após o meu casamento eu levei a minha esposa para apresentar aos meus pais em Goiás, pois no meu casamento só estava presente o meu irmão Maurílio. Vivi intensamente o meu casamento, levamos toda a nossa família para São Paulo.
Nesta época tivemos a oportunidade de reunir praticamente toda a nossa família de novo, quando os meus pais vieram para São Paulo foram morar em um dos melhores bairros da cidade, vilas Olímpia.
Isto foi uma transformação muito radical. Um fato que marcou muito na vida de meu pai, ao chegar com a mudança pela madrugada, o meu pai com a simplicidade de um camponês, resolveu urinar encostado ao muro.
Ali mesmo ele conheceu a violência da cidade, um marginal que tinha uma oficina mecânica ao lado atacou o meu pai com chutes e pontapés deixando com vários hematomas. Quando ele tomou conhecimento que meu pai tinha nove filhos homens si mandou para o outro lado da cidade. Só que vingança é um prato que a gente come frio.
Certo dia eu descobri o seu novo endereço e fui informado que ele era extremamente violento. Quando o abordei para tirar satisfação ele me enfrentou com um machado nas mãos eu corri de encontro a uma viatura da polícia que estava parado em uma esquina ali perto e coloquei a polícia contra ele, como ele enfrentou também a polícia, foi fuzilado ali mesmo.
Eu apesar de pagar aluguel, a gente vivia razoavelmente bem ficamos por dezesseis anos na mesma casa. Foi nesta época que eu acabei dando um salto maior do que as pernas acabei envolvendo o meu irmão, em uma fria.
Ele no intuito de me ajudar entrou como sócio em uma firma de representação, quando já estávamos com uma estrutura montada, resolvemos industrializar os nossos produtos, não deu certo, faltou um melhor planejamento e fomos de um estremo ao outro.
Um dia o meu filho que tinha sete anos, me pegou chorando e falou, pai eu vou vender os meus brinquedos e arrumar dinheiro para você. Isto falou profundo, uma criança estendendo a mão para um pai desesperado.
Quando nós saímos desta sociedade eu não tinha como cumprir os compromissos que eu havia assumido com os bancos, eu fiz um acordo dilatando estas dividas em dois anos.
Fui à luta tentando cumprir os meus compromissos. Lentamente fui me adaptando ao novo serviço que tinha que sustentar a minha família e as nossas dívidas. eu estava conseguindo controlar a situação quando eu estava quase terminando de pagar o acordo que havia assumido com os bancos, fundiu o motor do meu carro, eu não tive como cumprir com os meus compromissos e meteram o meu nome no pau.
Por várias vezes uma vizinha que acabou percebendo a nossa situação. Ela trazia da feira uma sacola cheia de frutas e verduras para as crianças. Estávamos sendo informados que o estado de saúde do meu pai estava se agravando.
Em 76 quando eu tentava sair desta situação com a minha esposa em estado de isolamento em casa com hepatite, um telefonema de Goiás dava a pior informação. O meu pai que havia voltado para Inhumas tinha sido vítima de um AVC fulminante. Pegamos o primeiro voou para o último adeus ao meu pai.
Para quem já estava debilitado isto me levou ao fundo do poço. Quando a cabeça está fraca a gente começa a andar pela cabeça dos outros, em busca desesperada por solução.
No começo da década de oitenta me mudei para Uberlândia indo trabalhar no Alô Brasil. viajando por este país, mesmo com a vasta experiência que tinha na área de vendas acabei desistindo e tomando outro rumo, foi quando abracei a carreira de Radialista, fui trabalhar na Rádio Globo Cultura.
E acabei conseguindo um registro de profissão na minha carteira como Radialista, era tudo que eu queria viver perigosamente, porque sempre fui adepto ao dizer que quanto maior é a árvore mais bonita é o tombo.
Eu tinha o faro da notícia mais o meu programa começou a incomodar, eu dizia a verdade doa a quem doer, mais o preço da verdade é sempre muito alto, eu acabei comprando uma briga com uma empresa renomada da cidade por causa de um bárbaro crime praticado contra uma engenheira assassinada a mando do seu diretor.
Nesta época eu lancei um programa denominado. A voz do legislativo. Com transmissão diretamente da câmara municipal de Uberlândia todas as noites. Como repórter policial eu acabei comprando uma briga feia com o delegado regional de Uberlândia, por causa dos espancamentos que estavam praticando contra os presos.
Rompi o contrato com a Rádio Difusora, indo para a Rádio Uberlândia, continuei a denunciar o bárbaro crime. Agora com muito mais ênfase, dando nome aos bois, foi quando começou uma série de ameaças, chegando a tentar contra a minha vida por duas vezes, como a empresa não conseguia me silenciar.
Contra a força não há resistência, compraram a Rádio para calar a minha boca.
Neste momento eu não podia ficar sem o microfone para denunciar porque eu seria um alvo muito fácil e seria a banalização da vida.
Eu fui para São Paulo e continuei a denunciar de lá através da Rádio Capital no programa do Afanazio Jazadji. Quando voltei a Uberlândia, me candidatei nas eleições de oitenta e oito como vereador para continuar com o microfone nas mãos mais as ameaças acabou se tornando insustentável a minha permanência na cidade.
Isto acabou me lavando de volta para São Paulo e mais uma vez eu fui trabalhar com táxi, Afinal eu gosto de conviver com o perigo, e mais uma vez eu tentei de novo a política, agora por São Paulo, saí cândida a vereador nas eleições de noventa e dois, quando a mídia dava destaque as minhas denúncias contra a prefeitura de São Paulo.
Na década de noventa o destinos acabou me presenteando com mais dois filhos e a partir de então eu tive que reestruturar a minha vida, com a responsabilidade de educar mais duas crianças e vivendo de favores na casa de meu irmão, eu buscava uma estabilidade, em noventa e cinco eu vim com a família passar o fim de ano em Uberlândia e acabei cometendo os cinco minutos de bobeira.
Os empresários da máfia que tem o domínio das concessões junto à o Governo nesta cidade se deram ao direito de me tirar de circulação, colocando o meu nome na lista negra como elemento nocivo aos meios de comunicação.
Foi quando caiu a minha ficha que a vida útil do brasileiro é só de quinze anos, até vinte e cinco, você é inexperiente e depois dos quarenta, você é velho. Mas para esperar completar sessenta e cinco anos para se aposentar a gente acaba caindo em um ponto sego da vida e tendo que viver de favores.
Por isto é tão difícil envelhecer neste país, pois tudo que você acumula de experiência acaba sendo jogado no lixo.
Na virada do milênio eu já comecei a colocar em pratica todos os conhecimentos que havia adquirido como auto de data metendo a cara nos livros jurídicos, foram vários os processos articulados por mim, pois eu acreditava que a justiça só não funcionava porque não era cobrado corretamente, foi ai que eu comecei a perceber que a justiça não era para os pobres.
Pois cada sentença tinha seu preço. Os salários exorbitantes que recebem os juízes e desembargadores não significam nada perto do que eles angariam nas negociatas e corrupções praticadas nas rolagens dos processos e venda de sentença, porque eles têm a certeza da impunidade.
Eu me tornei um profundo conhecedor do assunto a ponto de duvidar da importância deste conhecimento, pois eu comecei a perceber que, o desinformado não sofre pelas injustiças, porque ele se conforma com tudo.
Pois o pouco que sabia era suficiente para saber que o contrato de compra e venda que havia assinado era completamente inconstitucional. Eu contratei um advogado e pedi na justiça a rescisão contratual com devolução de todas as parcelas pagas devidamente corrigidas e ganhei em primeira instância com direito a pagamento a vista, o réu recorreu e de novo perdeu, mas a juíza me obrigou a devolver o meu apartamento o direito de ver a cor do dinheiro.
Fui encaminhado pela Secretaria de Saúde do Município devidamente agendado para uma cirurgia percutânea no Hospital São Paulo para que fosse realizada esta cirurgia, quando cheguei a São Paulo fui informado pelo médico que se eu quisesse ser atendido deveria entrar em uma fila de espera que poderia levar de seis meses a dois anos.
Eu já estava informado que um rim poderia sobreviver no máximo por trinta dias obstruídos, portanto eu não tinha tempo a perder apelei para o Hospital das Clinica, quando fui atendido por uma médica que se dizia urologista. A mesma se negou a me atender dizendo que salvar rim não era prioridade do pronto socorro.
Registrei uma queixa contra ela e procurei ajuda da imprensa, quando foi à noite recebi uma ligação do Hospital do rim se propondo a me internar no dia seguinte para os procedimentos cirúrgicos, fiquei por nove dias internado. Durante a minha internação neste Hospital que mais parecia um Hotel cinco estrelas além de tomar bicarbonato com zilorique e fazer alguns ultrassons que comprova a obstrução do rim esquerdo nada mais foi feito.
Somente quarenta e cinco dias depois da obstrução renal eu fui submetido a uma intervenção cirúrgica para retirada dos cálculos renais aqui no Hospital da U.F.U.
Sem se quer ter um pós-operatório para me dizer se o meu rim teria ou não sobrevivido a tantas omissões e negligencias Hospitalares, isto gerou um processo contra todos os envolvidos.
Os desgastes provocados pelo estresse que tenho sofrido me levaram a depressão e desencadeou uma série de outras doenças, tais como labirintite, hipertensão, artrite gotosa e artrose entre outras. E agora oito anos depois descobri que passei a ser portador de nefrocalcinose medular bilateral, uma doença degenerativa dos rins e isto detonou com as minhas esperanças e a cabeça vazia me transformou no verdadeiro Advogado do diabo.
O que ocupa meu tempo hoje é pesquisar as leis e infernizar a vida dos corruptos travestidos de juízes e desembargares que envergonham o judiciário. Brasileiro. Isto acaba me tornando um adepto do olho por olho dente por dente.
Eu já me orgulhei muito deste país, mas hoje eu tenho vergonha de ser Brasileiro.
De outro lado o advogado dos réus contesta, sempre mostrando as falhas na aplicabilidade das leis. O juiz é o mediador, para ouvir as partes e interpretar as leis, é dono do apito. só uma das partes pode ganhar só eles não têm nada a perder, mas isto quem define é o juiz.
No caso acima está montado o palco agora entra em Sena os personagens do espetáculo. Para ganhar tempo o réu que está usando o dinheiro de suas vítimas corrompe o judiciário para engavetar o processo, a vítima cobra agilização de seu advogado, que acaba se bandeando por dinheiro; mais uma vez coloca a culpa na morosidade. Mais um dia o juiz tem que sentenciar, aí entra em campo de novo os advogados das partes para negociar o valor da sentença.
Combinado o valor, é rateado entre os três, sempre pago pela empresa do estelionatário, a partir daí vem os intermináveis recursos que rolam por toda uma vida. O jogo de interesse é tão grande que não pode esquecer ninguém na hora de distribuir o dinheiro dos otários que acreditaram na justiça Brasileira.
A virada do século foi marcada por muito sofrimento, eu tive muitas perdas na família, morreram dois irmãos e por último a minha mãe, o desgaste na minha saúde foi muito grande, passei por duas cirurgias que me deixaram sequelas, estou passando por uma crise de depressão que incomoda, porque eu sinto que está ficando difícil conviver comigo.
Eu não tenho mais alegria com nada e quando a gente perde a vontade de viver fica difícil buscar ajuda da ciência e acaba se isolando de tudo e de todos, eu já começo a pensar que estou vivendo de lambuja tudo que vier agora é lucro. Ao mesmo tempo eu percebo que tenho muito que fazer para não deixar tantos problemas. Uma coisa é você estar impossibilitado de ser produtivo e outra é você procurar com as próprias mãos problemas que só você deverá resolver.
Eu estou com tantos problemas insolúveis que não poderá jamais ser deixado como herança para ninguém, caso o contrário fica a dúvida será que valeu a pena viver, mas deixo uma certeza para quem duvida, que até mesmo os meus erros foram cometidos por amor à família; eu só peço a Deus que me dê uma chance de viver até ter a certeza de estar pronto para a partida final.
Todos por desrespeito aos direitos de cidadania e busquei junto ao Supremo Tribunal Federal à exigência do cumprimento as leis, graças a esta façanha eu retomei ao processo do apartamento que a juíza corrompida estava dando por encerrado.
Após as denúncias que fiz no Conselho Nacional de Justiça. Substitui o advogado que havia se bandeado e sugeri à justiça a penhora de quatro apartamentos para garantir o meu dinheiro.
Fato que foi deferido imediatamente, isto mostra que aprimorar os conhecimentos só tem importância quando colocado em prática; com isto eu tenho acumulado inimigos que não se conforma em perder pontos para um simples curioso auto de data que buscou o conhecimento sozinho nas jurisprudências brasileiras.
Eu consegui tirar aproveito da minha própria desgraça, eu me considero um profundo conhecedor da legislação e dos direitos constitucionais. Entre as muitas ameaças e aborrecimentos que estou sendo vítima, trotes no telefone, uma bomba que foi estourada em minha garagem, um carro preto que por várias vezes foi visto em frente à minha casa com os vidros fumê semiaberto.
Depois de tantos anos dedicados aos livros jurídicos em busca de erros cometidos por advogados e juízes, acabei percebendo que advogado é apenas uma ferramenta de trabalho que só se usa quando necessário, mas nunca podemos confiar por completo.
Comentei aqui alguns fatos mirabolantes que a ciência não tem uma explicação plausível, porém, trata-se de assuntos rotineiros na vida das pessoas, nas rodinhas de conversas sempre tem alguém contando histórias parecidas, por exemplo, no dia em que meu avô morreu a minha mãe dizia ter ouvido durante a noite insistentemente um cabrito berrando.
Acabei descobrindo que a minha vida foi uma sucessão de erros intermináveis, que pena não poder voltar a trás para viver uma nova experiência passando este passado a limpo. Mas como eu me recordo de uma vida passada na qual eu era paulistano da região de Santa Cecília.
Eu só tenho que agradecer a Deus por permitir que eu vivesse para presenciar este momento tão importante na vida de meu Filho. Nas minhas idas e vindas em São Paulo em busca de atendimento médico.
Eu busco a ciência divina, porque sou adepto dos milagres da fé e tenho a certeza que serei curado, porque para o médico de todos os médicos não existe mal sem cura, existem mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa vá filosofia possa imaginar.
Como eu cheguei à conclusão de que a minha vida foi uma sucessão de erros, este é o mais consciente de toda a minha vida, quero render as minhas homenagens ao meu maior amigo de todos os tempos, o personagem desta história, foi à única pessoa que me restou para um bate papo, passo dias e noites conversando comigo mesmo.
Este é o meu conceito da morte, quando você olha para os lados e não tem a quem dirigir a palavra, quando você vai se deitar e não tem a quem dizer boa noite, quando amanhece e não tem a quem dizer bom dia, quando o seu relacionamento de amizade já não existe mais.
Quando isto acontece a uma pessoa é porque ela já morreu.
Com isto acabamos extrapolando a cada momento da vida, quando imaginamos que aquele momento pode ser o último; estou muito gratificado por entrando entrado o ano de 2020 junto com o que restou de ontem.
Dia 03 de Abril, aniversário de meu filho, que ao contrário de mim passou toda sua vida estudando. Com muita dificuldade, mas nunca desistiu, sempre caminhando com suas próprias pernas, espero que sua história de vida seja bem mais bonita que a minha, pois tem tudo para se projetar na vida.
A sua luta por justiça é muito parecida com a minha em época diferente e com muito mais capacidade científica, a sua luta por um dia melhor a nível nacional já mostrou que ele tem tudo para chegar a cargos muito mais importantes.
O que relatei no divagando pela vida foi um apanhado de lembranças da história de um cidadão que viveu intensamente a sua história e a história deste País, extrapolando as suas limitações.
Seria injusto não deixar a chance de que meus descendentes possam no futuro saber certas verdades distorcidas pela história Brasileira. Esta história está aberta ao público, e a quem possa interessar pela correção de falsas verdades camufladas no passado.
Tudo só ficou na poesia de Roberto Carlos. Pois se perdeu nas curvas de minha estrada.
Digo, valeu à pena cada segundo de loucura. Esta é minha versão da verdadeira historia da revolução. Sou um arquivo vivo. Pelo menos com a coragem para colocar o dedo nesta ferida.
Me orgulho muito de ter feito parte desta história. Que pena!
Atualmente eu me envergonho de ser Brasileiro. PALMÉRIO.

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