sábado, 30 de janeiro de 2021


DIVAGANDO PELA VIDA. RESGATE MEMORIAL.

 
 

O que passo a relatar aqui teve seu início em 30 de agosto de 1942, quando nasceu o terceiro filho de Olímpio Batista Leite e Diolinda Maria de Souza, em uma escala de nove irmãos que levou o nome de Gercir Palmério de Oliveira, este nome teve a composição de Palmério por parte do avô materno e Oliveira do avô paterno.

Fato que aconteceu em um lugarejo chamado Capelinha do Abaeté, no município de São Gotardo, estado de Minas Gerais. Éramos uma família de camponês muito pobre, que vivia do trabalho na agricultura.

Com dois anos de idade o meu computador mental já registrava os primeiros acontecimentos, eu me recordo dos meus cabelos castanhos aloirados e longos e eu já fugia de casa indo me esconder na casa de meus tios enquanto minha mãe me procurava pelo quintal de casa.

Eu nunca tive a oportunidade de saber o verdadeiro grau de estudo de meu pai, mais pela letra muito bem traçadas nos seus manuscritos e pela sua politização se percebia que ele era muito inteligente, sempre dizendo que o homem só era respeitado pelos seus conhecimentos.

Já a minha mãe sempre dizia que os seus pais comentavam que mulher não precisava estudar para ser dona de casa, ainda não existia a emancipação da mulher. Mas a educação que os dois passaram para os nove filhos do casal era impecável. Ninguém a faltar com o respeito a qualquer um dos dois.

Recordo-me que meu avô paterno, nos seus últimos anos de sua vida, já estava paralítico e se movimentava em uma cadeira de rodas. Ele era um pouco calvo, cabelos brancos e barbas longas. Era muito parecido com o famoso barão e morreu por volta de 1945, com 83 anos de idade.

Eu não cheguei a conhecer a minha avó paterna.

Já o meu avô materno era muito sistemático e impunha o respeito. Além de agricultor, era caixeiro viajante, ele tinha um bom carro de boi, no qual levava produtos da agricultura para a região de Uberaba e voltava com o carro cheio de roupas, tecidas e utensílios domésticos.

Quando o meu avô faleceu em 1956, a minha avó passou a morar com os filhos até sua morte em 1962. Por volta de 1946 a gente tinha uma criação de cabras, porcos e galinhas que ajudava na nossa alimentação.

O meu pai me colocava na garupa de um cavalo e me levava para a roça e por lá a gente ficava a semana inteira. Com quatro anos de idade eu já buscava água em uma cabaça para matar a sede dos outros que estava trabalhando na lavoura.

Em 1948 a gente já contava com seis irmãos; como não éramos donos da terra estava sempre mudando enquanto por outro lado, os latifundiários sugavam o suor dos trabalhadores no campo.

Mas imperava a pobreza absoluta e quanto maior a quantidade de filhos, maior era a lucratividade dos fazendeiros, porque o trabalho das crianças não era remunerado.

No final da década de quarenta fomos morar no município de matutina e até esta época ninguém tinha certidão de nascimento. Foi quando o meu pai aproveitando de uma campanha política.

Resolveu fazer um registro coletiva ficando uma grande parte da família como se fosse nascido em Matutina e não em São Gotardo. Por volta de 1950, eu tive uma desidratação quase fatal. Por falta de médicos e excesso de crendice, os meus pais começaram a me levar em curandeiros e charlatões.

Tinha nesta fazenda certo vizinho, que se atendia pelo nome de Farnézio, que se dizia ter um pacto com o diabo e começou a fazer garrafada dizendo que ia me curar usando a sua feitiçaria.

O que quase me matou. Nesta época morando em uma fazenda chamado barro preto, a namoradinha de meu irmão mais velho foi à vítima fatal da feitiçaria e o meu irmão foi salvo por milagre.

O meu pai era muito habilidoso no manuseio com madeiras e improvisava os nossos brinquedos fazendo carrinhos de madeiras, as rodas eram feitas com carretel de linhas e a carroceria com latas de sardinhas. O meu pai usava uma madeira que já está extinta no mercado brasileiro, com o nome de canjerana era uma madeira vermelha muito cheirosa e macia.

Cansado de ficar deitado em uma esteira esperando pela morte, já muito debilitado eu pedi que selasse um cavalo porque eu ia à cidade. Quando eu voltava, passando por uma cava eu avistei pela frente um bode que estava chifrando as pedras e soltando fogo pelos chifres.

Com um forte cheiro de enxofre. Eu cheguei à espora no cavalo que passou a galopar, só indo parar no curral de minha casa. Foram vários casos de alucinações que até hoje permanece a dúvida em minha cabeça porque eu não consigo imaginar isto como um fato real, já com oito anos

Morando na roça, em um passado tão distante. Escola era um luxo que só quem morava na cidade tinha direito.

Por várias vezes tentamos estudar em pequenas palhoças improvisadas lá na roça como se fosse escola, mas as constantes mudanças de um lugar para outro tornavam quase impossível um aprendizado.

Matriculava em uma escola, se mudava; começava tudo de novo em outra. Mas eu já tinha uma noção bem clara para distinguir o que era certo e errado. No começo de 1950 fomos morar em uma pequena cidade chamado Pouso Alegre, que fica entre o Rio Paranaíba e Arapuá.

Morando na cidade e indo trabalhar na agricultura era muito difícil. Nesta época eu fui trabalhar em um engenho que fabricava rapadura. Distante dos pais, eu passava a maior parte do tempo em um rancho improvisado, cercado por lobos que uivavam a noite inteira.

Ainda não tinha nove anos eu era incumbido de levantar às duas horas da madrugada e sair descalço, enfrentava a geada e os lobos em busca de um cavalo e dos bois para iniciar a jornada no canavial, o único alimento possível neste horário era um ovo frito com farinha, para ganhar dois mil réis por mês.

Por de volta de 1953, como os meus pais não tinham meios para sobrevivência na cidade, acabamos indo de novo para o trabalho braçal, só que desta vez fomos para a lavoura de café, ali na região de Campos Altos e Cachoeirinha. Mais uma vez fiquei doente e de novo a falta de médicos me levou a curandeiros.

Desta vez foi o sarampo que quase me deixou cego curiosamente voltei a ter alucinações. Em um certo dia eu estava acamado e muito doente quando um gato preto pulou em cima de minha cama, eu odiava gato preto. Peguei o bicho pelo rabo e atirei contra a parede estas visões diabólicas vinham sempre acompanhadas.

De uma enfermidade e até por isto eu nunca levei a sério, porque eu estava acometido de uma desidratação violenta. Eu tomei uma decisão mais radical. Entre morrer nas mãos de charlatões ou buscar recursos médicos, eu resolvi fugir de casa e ir para a cidade em busca de socorro, isto aconteceu por volta de 1955.

Quando eu tinha apenas 13 anos já buscava a minha independência. Com tantos problemas pela frente, tais como viver longe de meus pais e meus oito irmãos, foi tudo muito sofrido, mas buscar socorro e o crescimento intelectual era primordial e tinha um preço a pagar.

Juntei alguns pertences pessoais e pela primeira vez meti a cara no mundo, indo morar com uma tia em São Gotardo. Eu iniciei um tratamento médico com um restabelecimento imediato. Em plena adolescência quando aflorava a vaidade, consegui emprego em uma lanchonete.

Depois, aprimorando os meus relacionamentos, fui trabalhar como cobrador do ônibus que fazia a linha de São Gotardo a Campos Altos. Neste meio tempo, os meus pais mudaram para São Gotardo e de novo eu tive a sensação de estar com a família, só que foi por pouco tempo, pois a falta de trabalho na cidade levou os meus pais de novo para o campo.

Algum tempo depois, para o meu desespero, os meus pais resolveram que iriam se mudar para Goiás. Só aí eu percebi que estava sozinho no mundo e que dali para frente eu teria que construir um futuro para minha vida.

E apesar da falta de escolaridade, eu pude perceber que a educação que eu havia recebido de meus pais era a base suficiente para me guiar pela vida. Como todo adolescente, passei por todas as tentações do mundo. Fiz muitas besteiras que poderia ter evitado, caindo para aprender a levantar e apanhando para aprender a bater.

Respeitando o orgulho que meus pais tinham dos filhos, honrando a tradição de uma família conhecida pela sua honestidade; mas a saudade de minha família, que havia partido para o estado de Goiás, batia no peito machucando um coração despreparado de um jovem que buscava um ombro amigo para chorar.

Um caminho a ser seguido na vida. As lembranças de um caminhão partindo com a mudança e todos acenando com a mão, o cachorro que acompanhou latindo até certa distância e, quando parou, olhou para trás e voltou balançando o rabo e deitou nos meus pés a me lamber, acabou por me consolar pela perda de um lar que também era seu. A partir deste momento, eu tinha que conviver com um fato novo.

A saudade e a sensação de perda de uma família tão bonita que havia partido para tão distante. Eu comecei do nada indo morar em um quartinho no fundo de uma oficina da empresa que trabalhava.

Não tinha nada além de uma caminha velha e uma torneira do lado de fora, que era usada para colocar a mangueira e lavar os carros. Para tomar banho eu usava uma bacia e para aquecer a água eu improvisei uma resistência isolada de um chuveiro e ligada em uma tomada, então eu colocava dentro da bacia e quando aquecia eu desligava.

Para as minhas necessidades, eu usava o sanitário dos mecânicos que ficava do outro lado da oficina. Em pleno início da juventude com 16 anos de idade eu era um alvo fácil e vulnerável para estar sozinho no mundo. Nesta passagem da vida, a gente quer se afirmar como homem e é aí que mora o perigo.

Você pensa que para ser “homem” tem que fumar beber e frequentar casas noturnas. Foi só aí que falou mais alto a base familiar que eu tinha recebido.

Antes de tomar qualquer decisão, eu me lembrava de que tinha que honrar a dignidade e a honestidade implantada pelos meus pais, que tanto se orgulhavam dos filhos que tinham. Mas, mesmo assim, acabei ficando com o imperdoável vício do cigarro por 37 anos de minha vida.

A ficha realmente caiu quando eu percebi que para começar a construir qualquer futuro para a minha vida eu precisava esperar a maioridade. Sozinho no mundo eu não podia nem mesmo, tentar localizar os meus pais em outro estado, eu seria um alvo fácil para a fiscalização porque não podia viajar desacompanhado.

A lembrança e a saudade me consumiam a ansiedade para me libertar e poder sair pelo mundo em busca de outras conquistas alongavam o tempo e os dias não passavam. Como eu só podia pensar em sair pelo mundo quando documentado.

Comecei a me preparar para isto, passando a conviver um pouco mais em sociedade e participando ativamente da campanha política que, com a famosa vassourinha, elegia em seguida o Jânio da Silva Quadros a presidente da república. Enquanto aguardava ansiosamente a maioridade, eu não podia vacilar, levava uma vida bem retraída e limitada.

Eu tinha alguns poucos amigos com quem dividia confidência e participava da vida social da época sem exageros, mas tinha na minha cabeça uma decisão formada. Era só completar dezoito anos e pegar qualquer documento que eu iria à busca de uma grande cidade. 

E assim aconteceu. Mais uma vez a sensação de perda dos amigos que me ampararam na ausência de minha família e até mesmo o medo de enfrentar sozinho o desconhecido mundo novo que começaria a partir daquele momento. Como responsável pelos meus atos. Meti a cara no mundo e fui ver o que me esperava lá fora. Despedi-me dos amigos, e da namoradinha que tentava fugir comigo escondida de seus pais, tendo-lhe deixado do lado de fora do ônibus com uma mochila nas mãos aos prantos. Eu saí com destino a Uberaba, para de lá pegar um ônibus para Brasília.

Quando cheguei a Uberaba, o ônibus já havia partido. Eu peguei um táxi para alcançá-lo em Uberlândia, embarcando em direção a Brasília em um ônibus lotado, sentado em uma caixa de ferramentas no meio do corredor.

Resolvi pernoitar em Goiânia, indo em seguida para Brasília. Na década de sessenta aconteceu quase de tudo em minha vida. Eu fui o vilão e o mocinho ao mesmo tempo. Quando eu cheguei a Brasília comecei a sentir o peso da responsabilidade, fui morar em uma pensão feita pelos chamados candangos na cidade livre, que era uma verdadeira favela.

Toda feita em madeiras sem nem uma estrutura básica, com os ratos passando por cima da cabeça, e convivendo com todo tipo de gente. Eu não tinha nem uma reserva financeira e precisava urgente de conseguir um trabalho para me manter. Comecei desesperadamente procurar por um emprego. Os dias foram passando e o dinheiro acabou eu fui obrigado a deixar a pensão e sair com a mala na mão em busca de um abrigo.

Perambulando pela cidade por coincidência me deparei com um grande amigo e conterrâneo, que estava trabalhando em uma banca de jornal, confidenciei a minha situação e pedi para me deixar dormir ali na banca dele. Penalizado com a minha situação ele me respondeu que não tinha uma cama nem espaço, mais convencido que eu estaria como um guarda noturno acabou permitindo que eu passasse a dormir em um banco de madeira, forrado e coberto com jornais velhos.

Continuei a perambular pela cidade batendo de porta em porta em busca de algum tipo de serviço, porque eu precisava me alimentar. Em um acampamento de uma construção eu conheci uma paulista de bom coração que tinha um restaurante popular para servir os peões da obra. Após dizer a ela de minhas dificuldades solicitei que deixasse lavar as louças em troca de um prato de comida.

Ela me ofereceu que eu passasse a me alimentar ali e quando eu começasse a trabalhar eu pagava para ela. Eu almoçava, e a noite tomava uma sopa. Com o problema resolvido provisoriamente pernoitando na banca de jornal sem cama nem coberta as noites se tornavam longas e frias, o que me levava à saudade do calor de minha família e caia no desespero.

Afinal eu não desistia e mais um dia a perambular pelas a cidade em busca de emprego. Certo dia andando pelo aeroporto de Brasília, deparei-me com um senhor que acabava de desembarcar de um voou chegando de São Paulo. Este senhor me indagou, se eu conhecia bem Brasília, respondi afirmativamente. Ele contratou o meu dia de serviço como guia, após andar com ele o dia inteiro em um carro alugado.

De volta ao aeroporto eu já havia confidenciado a ele as minhas dificuldades na cidade de Brasília. Ele penalizado com a minha situação perguntou quanto eu ia cobrar pelo dia de serviço, eu respondi, você me ajuda com o que quiser, ele meteu a mão na pasta e me deu em dinheiro limpo o equivalente a um salário mínimo e ainda me agradeceu pelo serviço.

Com esta injeção de ânimo eu voltei para o barraco cheio de planos, pedi para um amigo para que deixasse tomar um banho lá no seu apartamento, tirei da mala um terno amarrotado e levei ao tintureiro e pedi que desse um trato.

Vesti-me decentemente, fui à cantina da mulher que me servia comida e mandei somar a conta e disse a ela, hoje recomeça a minha vida. Foi a partir daquele dia que eu percebi que para sobreviver na cidade de Brasília teria que ser bem mais atirado.  Eu mudei completamente; passei a frequentar a vida noturna e mostrar o meu charme nas boates e cabarés da cidade.

Na flor da juventude passei a viver perigosamente, depois daquele dia parece que tudo mudou como se por encanto, não me faltava mais o dinheiro, só que o mocinho saiu de sena, eu passei a viver o vilão arrogante e dono da verdade, ganhar dinheiro era apenas parte da solução.

Em certa noite frequentando a boemia da cidade eu fui convidado para gerenciar uma boate, acertado as condições de trabalho eu comecei imediatamente, mais o preconceito era muito grande e eu precisava de um registro em carteira, resolvi acumular trabalho fui trabalhar também como balconista de um bar.

Este sim foi meu primeiro registro em carteira, com o dinheiro em abundância começou também a ganância e eu comecei a voar mais alto. O dono daquela banca de jornal que me serviu de abrigo resolveu ir embora para São Paulo e me ofereceu se eu não queria ficar com a banca, eu aceitei de imediato.

Com mais experiência eu fiquei um pouco mais esperto, eu fui orientado por um amigo, que a maioria dos apartamentos funcionais do setor JK eram invadidos. Isto me incentivou fazer o mesmo.

Este amigo me ajudou invadir o apartamento vizinho ao seu, resolvendo assim o meu problema de moradia, mas a minha vida de boemia extrapolava. Em certa noite eu cheguei a casa em um estado de embriaguez, a ponto de ter o apartamento invadido por ladrões que levaram tudo. Sem que eu percebesse nada, só não levou o dinheiro porque estava em baixo do travesseiro. Convivendo com funcionários do Governo eu acabei conseguindo uma vaga no restaurante do Ministério do Trabalho. O meu relacionamento na área do governo acabou me oferecendo um vasto campo de conhecimentos e oportunidades, trabalhando no ministério do trabalho e cuidando da banca de jornal eu percebi que poderia ir mais longe.

Resolvi montar uma firma de representações e comecei vendendo olho mágico para os apartamentos. Foi sucesso absoluto, em pouco tempo eu já estava com trinta vendedores, à banca de jornal que no início era um barraco já acompanhava os padrões das construções de Brasília, toda construída em alvenaria e vidros e com sanitário.

Trabalhando no ministério do trabalho, e com um garoto cuidando da banca de jornal e administrando outros trinta funcionários. Eu usava e abusava do dinheiro, chegando a ganhar trinta salários por dia e proporcionando um ótimo salário para os meus vendedores que eram comissionados.

Isto fez com que eu me relacionasse com altas patentes da sociedade, morando em um apartamento convivendo com a alta cúpula do governo e com a situação financeira e social bem resolvida, eu tinha as portas abertas por onde passava. Minha amizade com o alto escalão das forças armadas e do governo era das melhores.

Eu comecei a perceber que o governo Jânio da Silva Quadros, já não tinha mais sustentação, as promessas de campanha não estavam sendo cumpridas corretamente. A pressão dos aliados do seu opositor de campanha, o general Lote, era insustentável, o grande erro do governo Jânio Quadros foi principalmente, baixar o salário dos militares; depois, mandar de volta os candangos para suas cidades de origem, parando quase todos os canteiros de obras de Brasília.

O caldeirão começou a ferver nos bastidores das forças armadas, portanto a queda de Jânio já era certa. Logo em seguida começava à tomada de poder que deu início a chamada revolução de 64 que na verdade começou em 62.

O que vinha acontecer a seguir foi muito maior do que relata a nossa história porque a partir daquele momento começou a censura da mídia. Como eu trabalhando com a imprensa escrita, comecei a perceber que o que estava sendo publicado não correspondia com os verdadeiros fatos que estava acontecendo.

Começou uma verdadeira recessão, o dinheiro desapareceu do mercado, as forças armadas começaram a se preparar para uma possível guerra civil, o pessoal que estava alistado para o serviço militar começou a serem convocados inclusive os dispensados como no meu caso, e ninguém queria servir de bucha de canhão.

As forças armadas se divergiam e Brasília, como o centro das atenções já não era mais uma cidade segura para se viver, até que certo dia, uma sena chocante na esplanada dos ministérios, o que já era esperado aconteceu.

O senhor Jânio da Silva Quadros presidente da república, estava lendo a carta de renúncia de maneira no mínimo estranha, em frente um pelotão de fuzilamento armados até os dentes; ele mesmo declarou mais tarde que forças ocultas o tiraram do poder.

A partir deste momento os generais tentaram assumir o poder em lugar do vice-presidente João Goulart, legitimamente eleito pelo povo. A resistência para sufocar a tentativa de golpe militar foi imediata, enquanto isto o presidente da câmara Ranieri Mazille assumia interinamente a presidência da república.

Na tentativa de evitar que os aliados de João Goulart se fortalecessem na união contra o golpe militar. O Leonel Brizola, que na época liderava a região sul do país formou uma frente de oposição contra a tentativa de golpe dos militares, mais como se comunicar com o resto do país em pleno estado de sítio, as garantias fundamentais foram cerceadas e o toque de recolher tomou conta do Brasil, todas as pessoas que se reunissem nas ruas, eram presas como agitadores e subversivos. 

Mais colocar o Jango no poder era uma questão de honra, mesmo que para isto tivesse que colocar em prática a desobediência civil. Com todos os meios de comunicações fora do ar, ficou fácil para o Leonel Brizola colocar a rádio dele falando lá do Rio Grande do Sul para todo o país, e com isto manter firme a sua posição de liderança para colocar no poder o legitimo mandatário; o vice-presidente João Goulart.

As forças armadas por sua vez reforçaram o cerco fechando Brasília por terra e ar, ninguém chegava ou saia sem passar pela rigorosa vistoria. O governador de Goiás Mauro Borges se aliou ao Leonel Brizola colocando todas as forças armadas sobre o seu comando nas ruas. Até mulheres com tudo que tinha em casa que pudesse ser usado como armas, foice, facão, machados e até vassoura e panelas foram para as ruas em favor da democracia. Estava tudo armado, Brasília seria o palco da tragédia sanguinária que estava para acontecer, o confronto se tornava inevitável, até que o Leonel Brizola juntamente com o Mauro Borges então Governador de Goiás tomaram uma decisão corajosa. 

Resolveram atacar os opositores das forças armadas que estava a favor da ditadura e dar posse ao João Goulart. O Leonel Brizola saia do Sul com o João Goulart acompanhado por uma escolta armada.

Mauro Borges saia de Goiânia também escoltado pela aeronáutica e se juntaram no espaço aéreo de Brasília, o que veio a seguir foi uma das partes mais emocionante que eu poderia presenciar em toda a minha vida, mais não faz parte da história deste país, quando sobrevoavam Brasília tentando ordem para aterrissar foram avisados que seriam abatidos.

Insistiram que iam pousar quando foi dada a ordem para atirarem contra os aviões. Neste momento aconteceu à insubordinação os comandados viraram contra os seus comandantes e mantendo-os sobre a mira tomaram a torre do aeroporto e autorizou o pouso.

Neste momento uma euforia tomou conta do país e as forças aliadas sufocaram a tentativa de golpe, em poucos minutos a população já tomava conta de Brasília, formaram uma verdadeira carreata para acompanhar o cortejo até o palácio da alvorada e em seguida dando posse ao novo presidente que em seu discurso tranquilizou o povo brasileiro e pediu o retorno à normalidade.

Os generais não se deram por derrotados e enquanto Jango começava a articular o seu plano de governo, as forças armadas mais do que nunca, colocavam em prática o mirabolante plano de uma tomada do poder, silenciosamente para não cometer o mesmo erro, começaram a juntar os cacos do que restou e lentamente iam mostrando que era apenas uma questão de tempo.

Por outro lado, o governo de Jango ganhava cada vez mais popularidade na área social, a política implantada por João Goulart era muito mais do que o povo esperava de Jânio da Silva Quadro, Jango era a pessoa certa para continuar a sucessão das obras deixadas por Juscelino. Nesta altura eu era mais uma vítima da recessão, a situação financeira já não era das melhores e Brasília com a pressão da guerra fria provocada pelos generais.

Brasília já não era mais um lugar seguro para se viver. Para completar a minha insegurança o meu nome fazia parte da lista para servir o exército, eu resolvi usar o meu círculo de amizade para buscar uma alternativa que não fosse o serviço militar.

Até mesmo porque eu teria que abandonar tudo para perder um ano no exército e eu jamais me colocaria ao lado das forças armadas, contra a democracia. Eu revelei a minha situação para o Coronel Cavalcante que era um amigo de vida noturna na cidade, na minha confidência eu o coloquei a par da minha posição em relação ao exército.

O Coronel Cavalcante me aconselhou que a única solução fosse desertar-se e desaparecer da cidade por algum tempo e depois procurar por ele em São Paulo para regularizar a minha situação militar. De qualquer forma eu teria que abandonar tudo que havia conquistado em Brasília.

Depois de mais de três anos distante de minha família eu acabei resolvendo articular o tão esperado reencontro. Quando os meus pais mudaram de Minas para Goiás, eles foram para o município de Rubiataba, a localização não foi tão difícil. Depois de tantos anos distantes dos meus pais tivemos um reencontro muito emocionante. Mais eu não conseguia me adaptar com a vida pacata lá da roça e logo começou o grande problema.

O dinheiro estava acabando e eu precisava dar um rumo para minha vida, afinal eu era considerado um desertor do exército que poderia ser preso a qualquer momento. Um dia eu arrumei uma confusão com o delegado da cidade que se achava dono da verdade, como eu não sou de levar desaforo para casa resolvi dar uma mãozinha ao prefeito da cidade, que era amigo da família, fizemos um abaixo assinado para substituir a cúpula da polícia que não passava de um grupo de pistoleiros.

A desavença com este tipo de gente no norte de Goiás era morte certa, agora eu tinha um verdadeiro motivo para colocar de novo os pés na estrada e mais uma vez a triste despedida da família, saí sem destino certo, porém, com uma certeza, eu tinha que chegar a Goiânia e passar na 7º CRM para entregar o abaixo assinado pedindo a substituição do delegado e todos os seus comandados por completa incompetência e pela prática de coronelismo em Rubiataba Goiás.

Eu pernoitei na cidade para organizar as minhas ideias, durante a noite eu conferi o bolso para saber que rumo a tomar, porque o dinheiro estava acabando. Resolvi embarcar de trem para São Paulo que era mais econômico. Quando cheguei à estação da luz em São Paulo o dinheiro que eu tinha era o suficiente para pagar uma passagem no transporte coletivo.

Eu caminhei a esmo até o Anhangabaú, peguei um ônibus com destino ao lago de pinheiros, com uma mala nas mãos e fui à luta imediatamente em busca de emprego, subi a rua Teodoro Sampaio batendo de porta em porta em busca de algum tipo de trabalho que eu pudesse fazer. Afinal eu tinha que recomeçar tudo da estaca zero. Mais o destino me reservava uma grande surpresa, ao entrar em uma panificadora na maior cidade da América Latina me deparei com Geraldo Magela.

Coincidência ou não, a mesma pessoa que havia me socorrida naquela banca de jornal lá em Brasília, voltava a me socorrer em São Paulo. São muitas as coincidências, éramos da mesma cidade São Gotardo em Minas Gerais. E o encontrei por acaso em Brasília depois encontrei de novo em São Paulo, o nosso elo de amizade era muito grande, sempre que mudava de cidade o destino se incumbia do nosso reencontro. Nesta mesma panificadora ele me arrumou emprego e em uma pensão ao lado eu consegui cama e comida.

Um dia eu resolvi conhecer a cidade, mais a minha memória foi além desta vida, quando eu andava pela rua das palmeiras no bairro Santa Cecília, um fato muito intrigante me aconteceu, percebi que já conhecia aquela região e comecei a andar pelo bairro.

Como se realmente conhecesse, eu tinha uma visão clara dos nomes das ruas por onde passava sem que ninguém me dissesse nada a respeito, eu falava com os meus botões, que subindo o bairro eu ia encontrar a Rua Jaguaribe e a minha direita estava à Avenida Angélica, tudo isto à primeira vista, foi como se eu estivesse de volta a uma vida passada.

Com parte do problema resolvido, eu comecei a correr atrás da solução do serviço militar, com a ajuda do meu amigo lá de Brasília que morava em São Paulo, não foi difícil, o Coronel Cavalcante me conseguiu um certificado de reservista de terceira categoria por excesso de contingente, pouco tempo depois eu tomei conhecimento que este amigo havia morrido em um acidente de carro a caminho da Bahia.

Depois de algum tempo trabalhando nesta panificadora, resolvi fazer uma viagem para visitar os familiares em Goiás; em minha volta resolvi passar uma temporada na casa de uma tia que morava em Uberlândia, foi quando o cupido me apresentou Dirce Mendes de Oliveira, nesta época eu tinha várias namoradinhas espalhadas pelo Brasil, mas não levava nada muito a sério.

Como a minha vida de solitária não me oferecia estabilidade, eu acabei resolvendo acreditar nesta relação, fiquei por algum tempo morando em Uberlândia. Quando voltei para São Paulo fui trabalhar de novo no mesmo emprego que havia abandonado antes. Namorando por correspondência, fiquei noivo e comecei a montar uma comprei o mínimo necessário e marquei o casamento. Nesta época o fato mais marcante que aconteceu na política internacional foi o assassinato do presidente Kennedy em Dalas nos Estados Unidos. Quando viajei para o meu casamento ao chegar a Uberlândia, encontrei a minha noiva de luto, fazia um mês que seu pai havia morrido em um acidente de moto em Goiânia, foi um casamento sem festa e em seguida a lua de mel literalmente feita de trem.

Fomos para São Paulo e em seguida pegamos o trem para Santos, viajar de trem nesta época era uma opção bem emocionante, descer de trem a serra de Santos era um verdadeiro luxo. O casamento transformou a minha vida, saiu de sena o boêmio aventureiro e deu lugar a um homem responsável de pés no chão.

Em busca de um futuro. O meu casamento aconteceu em mil e novecentos e sessenta e quatro e em seguida o presidente João Goulart anunciou uma série de medidas sociais, entre elas o aumento de cem por cento no salário mínimo. Isto foi a sua sentença de morte, o militar só estava esperando uma oportunidade para uma tomada de poder, o golpe militar aconteceu de surpresa.

A partir deste momento começaram a mandar para o exílio todos que pudesse contrariar a ditadura militar, entre eles Juscelino Kubitschek, João Goulart, Leonel Brizola e vários outros. O General Golbery do Couto e Silva era o carrasco da ditadura que deram nome de revolução de sessenta e quatro, durante todo o tempo da ditadura.

Todos que tentava se rebelar contra o sistema ou eram mortos ou expulsos do Brasil, pelo que pudemos perceber os próprios generais que eram colocados no poder, não passavam de fantoches. Quem não obedecia ao General Golbery ou simplesmente eram vítimas de um acidente como aconteceu com o Castelo Branco que cortaram a asa do seu avião lá no Ceará.

Costa e Silva, que teve um infarto com gosto de chumbo quente no peito. O Brasil é recordista mundial quando se trata de mistérios nas mortes estranhas de políticos que ocuparam o cargo de presidente da república.

Começando por Getúlio Vargas, suicídio ou homicídio?

Há quem diga que ele foi morto pelo próprio mordomo que levava um revolver em baixo da bandeja.

Juscelino Kubitschek acidente ou atentado? Afinal ele acabava de voltar do exílio com a popularidade em alta, ele tinha tudo para retomar a liderança política do país.

O João Goulart que foi encontrado morto quando preparava para voltar do exílio para o Brasil e nunca investigaram corretamente a sua morte há uma grande suspeita que seja causada por envenenamento. O grande poder que foi dado aos carrascos da ditadura pela anistia; preferiram colocar panos quentes.

Tancredo de Almeida Neves foi o fato mais curioso e muito mal esclarecido foi a diverticulite com cara de calibre doze que aconteceu com o presidente na missa que antecedia há sua posse quando saia da Igreja lá em Brasília.

Neste caso se deram ao luxo de escolher até a data de sua morte, vinte e um de abril, sendo assim mais um mártir da independência Brasileira. Eu que trabalhava como comunicador do Rádio.

Eu tive a oportunidade de retransmitir uma nota que havia sido veiculada na BBC de Londres e na voz da América entre outras; dizendo que, “no atentado em que foi vítima o presidente Brasileiro Tancredo de Almeida Neves também morreu seu segurança”. Também significa que o Tancredo estava morto? Até mesmo porque diverticulíte não provoca sangramento externo.

Outro grande mistério foi o caso do Ulisses Guimarães que ficou conhecido como, diretas já que teve o seu helicóptero explodido quando viajava com a esposa para Angra dos Reis no litoral brasileiro, sendo que o corpo de sua esposa foi encontrado despedaçado e o seu corpo até hoje não foi localizado.

O Ulisses Guimarães era conhecido como o maior articulador político deste país, também conhecido como velha raposa, morrendo com ele a última das lideranças daqueles que contribuíram para a redemocratização Brasileira, colocando um fim na ditadura militar.

Durante a Ditadura o país caiu no vazio, passamos a viver com certa individualidade, eram muito poucos os que animavam a peitar os militares. Os poucos que batia de frente eram duramente castigados e até mesmo morrendo em defesa dos seus ideais, a imprensa passou a viver em torno das notícias internacionais.

O maior destaque na época foi o assassinato do presidente Kennedy e de Luther king, a chegada do homem à Lua, até que começasse a aparecer alguns mais afoitos, como o então sindicalista Luiz Inácio da Silva que acabou incorporando no seu nome Lula hoje o presidente da república no segundo mandato.

Eu como tantos outros acabei me acomodando com a situação e passei a viver a minha vida de casado voltado para o futuro, com a responsabilidade de buscar uma estabilidade e a preocupação de formar uma família.

Sempre desejei ter vários filhos, estava ficando difícil esperar a chegada do primeiro, resolvemos adotar a Telma Lucia de Oliveira, em sessenta e sete, em sessenta e nove nasceu o William Mendes de Oliveira, durante a década de sessenta eu me dediquei à profissão de padeiro.

Chegando a ser o profissional de panificação mais bem pago de São Paulo, de acordo com uma pesquisa feita pelo sindicato das categorias. Logo após o meu casamento eu levei a minha esposa para apresentar aos meus pais em Goiás, pois no meu casamento só estava presente o meu irmão Maurílio.

Quando cheguei à casa dos meus pais eu fiquei triste com o estado de pobreza em que estavam vivendo a minha família. Em visita alguns parentes eu pude constatar os barbeiros andando pela parede do casebre de pau a pique, penalizado com a situação resolvemos levar conosco o meu irmão Delcidio para São Paulo.

Isto fortaleceu muito o nosso elo de amizade, ele passou a trabalhar durante o dia e estudava a noite morando em minha casa até o casamento, tivemos a oportunidade de acompanhar sua trajetória.

No final da década de sessenta eu abandonei a profissão de padeiro, fui trabalhar na área de vendas, fui muito bem-sucedido tendo chegado a ser homenageado como campeão nacional de vendas pela Britânica.

Uma empresa internacional renomada, nesta época eu comprei o primeiro dos vários carros que tive em toda a minha vida. Vivi intensamente o meu casamento, levamos toda a nossa família para São Paulo, o nosso relacionamento de amizade com o Delcidio era dos melhores, fizemos muita viagem pitorescos juntos.

Nesta época tivemos a oportunidade de reunir praticamente toda a nossa família de novo, quando os meus pais vieram para São Paulo foram morar em um dos melhores bairros da cidade, vilas Olímpia. Isto foi uma transformação muito radical. Um fato que marcou muito na vida de meu pai, ao chegar com a mudança pela madrugada.

O meu pai com a simplicidade de um camponês, resolveu urinar encostado ao muro, ali mesmo ele conheceu a violência da cidade, um marginal que tinha uma oficina mecânica ao lado atacou o meu pai com chutes e pontapés deixando com vários hematomas.

Quando ele tomou conhecimento que meu pai tinha nove filhos homens si mandou para o outro lado da cidade, só que vingança é um prato que a gente come frio. Certo dia eu descobri o seu novo endereço e fui informado que ele era extremamente violento.

Quando o abordei para tirar satisfação ele me enfrentou com um machado nas mãos eu corri de encontro a uma viatura da polícia que estava parado em uma esquina ali perto e coloquei a polícia contra ele, como ele enfrentou também a polícia, foi fuzilado ali mesmo.

Eu fiquei como testemunha de legítima defasa da polícia. Os meus pais aborrecidos e inconformados com a violência sofrida na chegada a esta cidade, não ficaram por muito tempo e retornaram para Goiás. Eu apesar de pagar aluguel, a gente vivia razoavelmente bem ficamos por dezesseis anos na mesma casa.

Foi nesta época que eu acabei dando um salto maior do que as pernas acabei envolvendo o meu irmão, Delcidio em uma fria. Ele no intuito de me ajudar entrou como sócio em uma firma de representação, quando já estávamos com uma estrutura montada, resolvemos industrializar os nossos produtos, não deu certo, faltou um melhor planejamento e fomos de um estremo ao outro.

Em 1975 quando desfizemos a nossa sociedade, completamente endividado, acabei dando outro rumo para minha vida. Comprei um táxi e fui trabalhar na praça; com uma série de problemas pessoais comemos o pão que o diabo amassou.

Foram várias as vezes que eu saía às quatro horas da madrugada para tentar ganhar o dinheiro do café das crianças para levá-los a escola. Um dia o meu filho que tinha sete anos, me pegou chorando e falou, pai eu vou vender os meus brinquedos e arrumar dinheiro para você. Isto falou profundo, uma criança estendendo a mão para um pai desesperado.

Quando nós saímos desta sociedade eu não tinha como cumprir os compromissos que eu havia assumido com os bancos, eu fiz um acordo dilatando estas dividas em dois anos. Fui à luta tentando cumprir os meus compromissos.

Lentamente fui me adaptando ao novo serviço que tinha que sustentar a minha família e as nossas dívidas, eu estava conseguindo controlar a situação quando eu estava quase terminando de pagar o acordo que havia assumido com os bancos, fundiu o motor do meu carro, eu não tive como cumprir com os meus compromissos e meteram o meu nome no pau.

Por várias vezes uma vizinha que acabou percebendo a nossa situação, trazia da feira uma sacola cheia de frutas e verduras para as crianças. Estávamos sendo informados que o estado de saúde do meu pai estava se agravando, em 76 quando eu tentava sair desta situação com a minha esposa em estado de isolamento em casa com hepatite, um telefonema de Goiás dava a pior informação.

O meu pai que havia voltado para Inhumas tinha sido vítima de um AVC fulminante, pegamos o primeiro voou para o último adeus ao meu pai. Para quem já estava debilitado isto me levou ao fundo do poço. Quando a cabeça está fraca a gente começa a andar pela cabeça dos outros, em busca desesperada por solução. Eu acabei sendo atraído para outros caminhos completamente alheios a minha crença. Foi quando eu comecei a frequentar tudo, terreiro de macumba, espiritismo, candomblé.

Apesar de não acreditar em nada disto, e o pior, criticava violentamente, pois eu acredito que Deus é único. Foi quando eu acabei me aborrecendo com uma batucada em frente à minha casa e resolvi entrar para ver o que estava acontecendo quando fui atraído para o que eles chamam de um descarrego.

Acabei entrando em lugar completamente errado, o que aconteceu ali foi um encontro satânico. A minha vizinha que se dizia estar incorporada por um espírito, estava me falando uma série de besteiras pelo menos no meu ponto de vista.

Acabamos entrando em atrito quando fui desafiado para um encontro, eu aceitei de imediato, foi quando me foi dito o seguinte, “eu estou desencarnado a mais de trezentos anos, sou muito feio, amanhã às dez horas eu te encontro lá na ponte do socorro, estarei montado em um cavalo branco, você vai ver o quanto sou feio”, mal sabia que estava marcando um encontro com o diabo.

Eu estou vendo a coisa feia até hoje. Fatos que a ciência não tem explicação começaram a acontecer, em certo dia a minha esposa foi tomar banho e saiu apavorada do banheiro dizendo ter visto o diabo entrando pela parede do banheiro. Esta Sena se repetiu anos depois quando o meu filho entrou em um cômodo reservado no seu emprego cujos seus patrões eram maçom.

Ele diz ter visto saindo do interior deste cômodo escuro um vulto que atravessou o seu corpo, curiosamente a partir deste momento ele perdeu a crença em religião e não acredita em nada que não se explica através da ciência, colocando em dúvida o próprio criador, Deus. Quando aceitei o desafio indo ao encontro marcado com o outro lado da vida eu estava crente que havia provado o quanto sou corajoso, coincidência ou não eu comecei a perder tudo que mais amava.

No começo da década de oitenta me mudei para Uberlândia indo trabalhar no Alô Brasil, viajando por este país, mesmo com a vasta experiência que tinha na área de vendas acabei desistindo e tomando outro rumo, foi quando abracei a carreira de radialista.

Fui trabalhar na Rádio Globo Cultura, na área de publicidade, acabei me destacando entre os outros provocando um grande ciúme no próprio gerente.

Algum tempo depois fui para a Rádio Difusora como repórter policial, quando montei o programa Cidade Alerta no período da manhã e à tarde eu comandava o Alerta Geral.

E acabei conseguindo um registro de profissão na minha carteira como. Radialista, era tudo que eu queria viver perigosamente, porque sempre fui adepto ao dizer que quanto maior é a árvore mais bonita é o tombo.

Eu tinha o faro da notícia mais o meu programa começou a incomodar, eu dizia a verdade doa a quem doer, mais o preço da verdade é sempre muito alto, eu acabei comprando uma briga com uma empresa renomada da cidade por causa de um bárbaro crime praticado contra uma engenheira assassinada a mando do seu diretor. Nesta época eu lancei um programa denominado, a voz do legislativo. Com transmissão diretamente da câmara municipal de Uberlândia todas as noites.

Como repórter policial eu acabei comprando uma briga feia com o delegado regional de Uberlândia, por causa dos espancamentos que estavam praticando contra os presos. Certa noite após a sessão da câmara eu convidei todos os vereadores juntamente com outras autoridades para uma visita surpresa na delegacia, foi quando pudemos comprovar todas as barbaridades que estavam praticando contra os presos.

Uma sindicância foi aberta contra o delegado. Rompi o contrato com a Rádio Difusora, indo para a Rádio Uberlândia, continuei a denunciar o bárbaro crime. Agora com muito mais ênfase, dando nome aos bois, foi quando começou uma série de ameaças, chegando a tentar contra a minha vida por duas vezes, como a empresa não conseguia me silenciar; contra a força não há resistência, compraram a Rádio para calar a minha boca.

Neste momento eu não podia ficar sem o microfone para denunciar porque eu seria um alvo muito fácil e seria a banalização da vida. Eu fui para São Paulo e continuei a denunciar de lá através da Rádio Capital no programa do Afanazio Jazadji. Quando voltei a Uberlândia, me candidatei nas eleições de oitenta e oito como vereador para continuar com o microfone nas mãos mais as ameaças acabou se tornando insustentável a minha permanência na cidade.

Isto acabou me lavando de volta para São Paulo e mais uma vez eu fui trabalhar com táxi, afinal eu gosto de conviver com o perigo, e mais uma vez eu tentei de novo a política, agora por São Paulo, saí cândida a vereador nas eleições de noventa e dois, quando a mídia dava destaque as minhas denúncias contra a prefeitura de São Paulo.

Na década de noventa o destino acabou me presenteando com mais dois filhos e a partir de então eu tive que reestruturar a minha vida, com a responsabilidade de educar mais duas crianças e vivendo de favores na casa de meu irmão.

Eu buscava uma estabilidade, em noventa e cinco eu vim com a família passar o fim de ano em Uberlândia e acabei cometendo os cinco minutos de bobeira. Fui convencido a comprar um apartamento que estava sendo construído no bairro Brasil, mal sabia que estava caindo nas mãos de estelionatários, isto me obrigou a voltar para Uberlândia.

Eu ainda tinha a ilusão que voltaria a trabalhar no Rádio, mas após as denúncias que tinha feito no passado o meu nome havia sido banido dos meios de comunicação.

Os empresários da máfia que tem o domínio das concessões junto à o Governo nesta cidade se deram ao direito de me tirar de circulação, colocando o meu nome na lista negra como elemento nocivo aos meios de comunicação.

Foi quando caiu a minha ficha que a vida útil do brasileiro é só de quinze anos, até vinte e cinco, você é inexperiente e depois dos quarenta, você é velho. Mas para esperar completar sessenta e cinco anos para se aposentar a gente acaba caindo em um ponto sego da vida e tendo que viver de favores.

Por isto é tão difícil envelhecer neste país, pois tudo que você acumula de experiência acaba sendo jogado no lixo. A minha vida foi marcada por muita lagrimas, sempre que caia eu me levantava e levei a vida toda com a falsa ilusão de que eu ia trabalhar até o ultimo dia da minha vida, este foi o meu maior erro, não ter me preparado para envelhecer.

Como sempre, se colhe o que se planta, acabei percebendo que passei a vida inteira plantando vento, pois estou colhendo uma verdadeira tempestade, a partir de noventa e oito quando voltei para Uberlândia a minha vida se transformou em um verdadeiro inferno, tudo começou a dar errado.

Na virada do milênio eu já comecei a colocar em pratica todos os conhecimentos que havia adquirido como auto de data metendo a cara nos livros jurídicos. Foram vários os processos articulados por mim, pois eu acreditava que a justiça só não funcionava porque não era cobrado corretamente.

Foi aí que eu comecei a perceber que a justiça não era para os pobres, pois cada sentença tinha seu preço. Os salários exorbitantes que recebem os juízes não significam nada perto do que eles recebem nas negociatas, venda de sentenças e corrupções praticadas nas rolagens dos processos porque eles têm a certeza da impunidade.

Os desgastes provocados pelo estresse que tenho sofrido me levaram a depressão e desencadeou uma série de outras doenças, tais como labirintite, hipertensão, artrite gotosa e artrose entre outras. E agora oito anos depois descobri que passei a ser portador de nefrocalcinose medular bilateral, uma doença degenerativa dos rins e isto detonou com as minhas esperanças e a cabeça vazia me transformou no verdadeiro Advogado do diabo.

O que ocupa meu tempo hoje é pesquisar as leis e infernizar a vida dos corruptos travestidos de juízes e desembargares que envergonham o judiciário Brasileiro, isto acaba me tornando um adepto do olho por olho dente por dente, se a justiça não funciona temos que fazer a nossa própria justiça, se eu fosse americano seria um bom caçador de recompensa, vivo ou morto.

Eu já me orgulhei muito deste país, mas hoje eu tenho vergonha de ser Brasileiro. Eu me tornei uma pessoa tão revoltada que acabei incorporando o personagem de um justiceiro virtual, quando ocupo o teclado do computador é como se eu estivesse com uma metralhadora nas mãos abrindo fogo contra as injustiças sociais e o abuso praticado em nome da justiça brasileira. 

A corrupção, a venda de sentença se tornou tão banal que ninguém tem a preocupação com a ética e a moral do judiciário, porque a certeza da impunidade é que prevalece na cúpula da falsa sociedade capitalista deste País, são eles os verdadeiros donos da verdade.

Posso dar aqui uma centena de exemplos de como funciona a Justiça Brasileira, a galinha dos ovos de ouro é acumular processos para colocar a culpa no sistema, depois entra em sena os atores das negociatas, o advogado da vítima da entrada no processo procurando fazer o embasamento nas leis. 

De outro lado o advogado dos réus contesta, sempre mostrando as falhas na aplicabilidade das leis, o juiz é o mediador, para ouvir as partes e interpretar as leis, é dono do apito; só uma das partes pode ganhar só eles não têm nada a perder, mas isto quem define é o juiz No caso acima está montado o palco agora entra em sena os personagens do espetáculo.

Para ganhar tempo o réu que está usando o dinheiro de suas vítimas corrompe o judiciário para engavetar o processo, a vítima cobra agilização de seu advogado, que acaba se bandeando por dinheiro; mais uma vez coloca a culpa na morosidade; mais um dia o juiz tem que sentenciar, aí entra em campo de novo os advogados das partes para negociar o valor da sentença. 

Combinado o valor, é rateado entre os três, sempre pago pela empresa do estelionatário, a partir daí vem os intermináveis recursos que rolam por toda uma vida. O jogo de interesse é tão grande que não pode esquecer ninguém na hora de distribuir o dinheiro dos otários que acreditaram na justiça Brasileira. 

Os grandes são subornados e os pequenos são silenciados se quiserem permanecer vivos, de outro lado está à imprensa; que já foi conhecida como o quarto poder da união, só que está nas mãos de políticos com o rabo preso, e mil verdades minhas não vale por uma mentira bem articulada do presidente do Supremo Tribunal Federal que não é nada contra uma mala cheia de dinheiro. Que foi oferecida como suborno a um delegado da polícia federal.

A virada do século foi marcada por muito sofrimento, eu tive muitas perdas na família, morreram dois irmãos e por último a minha mãe, o desgaste na minha saúde foi muito grande, passei por duas cirurgias que me deixaram sequelas, estou passando por uma crise de depressão que incomoda, porque eu sinto que está ficando difícil conviver comigo.

Eu não tenho mais alegria com nada e quando a gente perde a vontade de viver fica difícil buscar ajuda da ciência e acaba se isolando de tudo e de todos, eu já começo a pensar que estou vivendo de lambuja tudo que vier agora é lucro. Ao mesmo tempo eu percebo que tenho muito que fazer para não deixar tantos problemas. Uma coisa é você estar impossibilitado de ser produtivo e outra é você procurar com as próprias mãos problemas que só você deverá resolver.

Eu estou com tantos problemas insolúveis que não poderá jamais ser deixado como herança para ninguém, caso o contrário fica a dúvida será que valeu a pena viver, mas deixo uma certeza para quem duvida, que até mesmo os meus erros. Foram cometidos por amor à família; eu só peço a Deus que me dê uma chance de viver até ter a certeza de estar pronto para a partida final.

A primeira década do século vinte foi marcada por uma série de façanhas que marcaram o ilimitado poder de articulação que pratiquei junto aos poderes constituídos, mostrando que quando a gente quer, tudo é possível, entre outros eu processei o governo municipal, o governo estadual e o governo federal. Todos por desrespeito aos direitos de cidadania e busquei junto ao Supremo Tribunal Federal à exigência do cumprimento as leis.

Graças a esta façanha eu retomei ao processo do apartamento que a juíza corrompida estava dando por encerrado; após as denúncias que fiz no Conselho Nacional de Justiça. Substitui o advogado que havia se bandeado e sugeri à justiça a penhora de quatro apartamentos para garantir o meu dinheiro. Fato que foi deferido imediatamente, isto mostra que aprimorar os conhecimentos só tem importância quando colocado em prática.

Com isto eu tenho acumulado inimigos que não se conforma em perder pontos para um simples curioso auto de data que buscou o conhecimento sozinho nas jurisprudências brasileiras. Entre as muitas ameaças e aborrecimentos que estou sendo vítima, trotes no telefone, uma bomba que foi estourada em minha garagem, um carro preto que por várias vezes foi visto em frente à minha casa com os vidros fumê semiaberto.

Outro carro de cor escura que certa madrugada estacionou em frente à minha garagem e abriu todo o volume de seu som, isto além de outras ameaças veladas recebidas diretamente por políticos, e autoridades constituídas, mas eu adoro quando uma pessoa diz que vai me matar, a vida tem que ter adrenalina, do contrário a gente cai na monotonia, afinal prevalece aquele ditado cachorro que ladra não morde.

Depois de tantos anos dedicados aos livros jurídicos em busca de erros cometidos por advogados e juízes, acabei percebendo que advogado é apenas uma ferramenta de trabalho que só se usa quando necessário, mas nunca podemos confiar por completo.

Pois, como qualquer ferramenta pode ser manuseada de maneira errada; portanto você tem que manter esta ferramenta sempre às mãos, à última palavra tem que ser a sua quando o seu Advogado se bandeia você está sendo duplamente traído. Você está pagando para ser roubada, a corrupção rende muito mais do que os honorários. Comentei aqui alguns fatos mirabolantes que a ciência não tem uma explicação plausível.

Porém, trata-se de assuntos rotineiros na vida das pessoas, nas rodinhas de conversas sempre tem alguém contando histórias parecidas. Por exemplo, no dia em que meu avô morreu a minha mãe dizia ter ouvido durante a noite insistentemente um cabrito berrando em volta da casa. Quando a minha mãe morreu um cachorro uivou durante a madrugada em frente ao meu portão e por mais que eu o tocava voltava e continuava a uivar, a minha vida foi cercada de muitos mistérios sempre comunicando com o outro lado da vida. 

Este documentário teve como objetivo terapêutico buscar no meu passado a resposta para aquela pergunta chavão que a gente fica se perguntando, onde foi que eu errei? Acabei descobrindo que a minha vida foi uma sucessão de erros intermináveis, que pena não poder voltar a trás para viver uma nova experiência passando este passado a limpo.

Mas como eu me recordo de uma vida passada na qual eu era paulistano da região de Santa Cecília, quem sabe voltarei em uma vida futura para ter a oportunidade de uma vida cercada de todos os meus acertos e não cometer tantos erros grosseiros; isto é muito bom para ser verdade, você ter uma vida após a outra sempre se corrigindo. Hoje 30 de Agosto de 2009, portanto já se passaram 67 anos que esta História começou e percebo que nem tudo foi em vão porque eu tenho um grande orgulho do meu Filho, que hoje pela manhã me ligou da Espanha me dando os parabéns pelo meu aniversário.

À tarde ele já estava na Itália participando de um curso em Turim buscando mais conhecimentos para acrescentar em seu currículo. Eu só tenho que agradecer a Deus por permitir que eu vivesse para presenciar este momento tão importante na vida de meu Filho. Nas minhas idas e vindas em São Paulo em busca de atendimento médico, eu acabei descobrindo que eu me tornei portador de uma doença sem cura, trata-se de nefrocalcinose medular uma doença degenerativa dos rins.

Como a ciência dos homens ainda não sabe quase nada sobre como tratar deste mal terrível. Eu busco a ciência divina, porque sou adepto dos milagres da fé e tenho a certeza que serei curado, porque para o médico de todos os médicos não existe mal sem cura, existem mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa vá filosofia possa imaginar.

Como eu cheguei à conclusão de que a minha vida foi uma sucessão de erros, este é o mais consciente de toda a minha vida, quero render as minhas homenagens ao meu maior amigo de todos os tempos, o personagem desta história, foi à única pessoa que me restou para um bate papo, passo dias e noites conversando comigo mesmo.

Este é o meu conceito da morte, quando você olha para os lados e não tem a quem dirigir a palavra, quando você vai se deitar e não tem a quem dizer boa noite, quando amanhece e não tem a quem dizer bom dia, quando o seu relacionamento de amizade já não existe mais. Quando isto acontece a uma pessoa é porque ela já morreu.

Quando você volta para o passado e tenta reviver a sua história acaba percebendo que a sua estrada chegou ao fim, seu futuro acabou o que estou vivendo hoje é apenas o que restou de ontem. Mas é muito bom perceber que viver um dia após o outro, sem nem compromisso com o futuro, a gente acaba vivendo mais intensamente. Com isto acabamos extrapolando a cada momento da vida, quando imaginamos que aquele momento pode ser o último; estou muito gratificado por ter entrado o ano de 2010 junto com o que restou de ontem.

03 de abril, aniversário de meu filho, que ao contrário de mim passou toda sua vida estudando. Com muita dificuldade, mas nunca desistiu, sempre caminhando com suas próprias pernas, espero que sua história de vida seja bem mais bonita que a minha, pois tem tudo para se projetar na vida. A sua luta por justiça é muito parecida com a minha em época diferente e com muito mais capacidade cientifica, a sua luta por um dia melhor a nível nacional já mostrou que ele tem tudo para chegar a cargos muito mais importantes.

Eu gostaria de relatar aqui neste documentário uma série de outras fotos que presenciei na trajetória de minha vida. Mais a ética e a moral me obrigam a levar para o outro lado da vida segredos que não devo delatar, respeitando a privacidade de outros.

O que relatei no divagando pela vida foi um apanhado de lembranças da história de um cidadão que viveu intensamente a sua história e a história deste País, extrapolando as suas limitações. Seria injusto não deixar a chance de que meus descendentes possam no futuro saber certas verdades destorcidas pela história Brasileira.

Esta história está aberta ao público, e a quem possa interessar pela correção de falsas verdades camufladas no passado. Se eu pudesse mudar parte do rumo desta história eu teria dado muito mais atenção e amor ao meu filho e talvez tivesse evitado que ele assim como eu. Abandonasse a família com 16 anos de idade indo à busca de um mundo melhor. Hoje, 17 de agosto de 2012, portanto mês do meu aniversário, após pedir chorando que nossa senhora de abadia mostre-me uma luz no fim do túnel.

Em uma mistura de lucidez e loucura, posso dizer que; nunca fui o pai que tentei ser e muito menos o amado amante de minha esposa e meus filhos, os grandes amores de minha vida. Tudo só ficou na poesia de Roberto Carlos, pois se perdeu nas curvas de minha estrada.

Estou saindo desta história com a certeza de que milhões de outros brasileiros viveram histórias parecidas ou até mesmo mais sofridas e não tiveram a oportunidade nem a coragem de relatar, morrendo no anonimato. Gostaria de incentivar para que outras pessoas escrevessem suas histórias e as tornassem públicas, colocando um basta na hipocrisia do capitalismo selvagem que domina este País.

Hoje com a certeza que somente os loucos e as crianças dizem a verdade doa a quem doer. Digo valeu à pena a cada segundo de loucura que vivi. Porém, DIVAGANDO PELA VIDA. Poderá não ter fim. Pois finda a minha vida! Será que estarei de volta por volta de 2045? Quem viver verá.

Escrito e narrado por Palmério. 28/02/2021.

 

quinta-feira, 25 de junho de 2020

OUTRO. LADO DA VIDA.

 

O QUE É UMA FAMÍLIA?

Busquei a vida inteira até os 80 anos de idade, e não consegui hoje percebo todos estão contra há mim. Chego à conclusão que único erado sou eu. Que provoquei tudo com a depressão.



 A morte é o fim de tudo? Tem quem acredita na alma e outros no espirito. Afinal quando a gente nasce passamos a conviver com sigo mesmo até a morte. Há quem diga que você vai para o céu ou para o inferno, ou até mesmo para o purgatório.

Eu cresci de paz com o espelho em todos os momentos de minha vida. Não se justifica que a morte é fim de toda a cumplicidade que eu tive, com os bons momentos, e as dificuldades que passei em toda a minha vida, porem valeu a pena. Como se explica as aparições das pessoas que já morreram e vem ao seu encontro.

Estas pessoas não encontraram a paz e estão voltando para viver uma outra vida. Eu já fiz regressão e projeção, não tenho nem uma dúvida da minha vida passada e a minha vida futura deverá ser por volta de 2045. Será quem viver verá!

Certo dia em uma longa viajem com minha esposa indo para o mato eu já estava muito cansado começava a anoitecer vinha em meu sentido oposto um carro com os faróis muito ofuscante, quando ia cruzar com o meu carro desapareceu em um matagal.

Perguntei! Você viu o que eu vi ela respondeu afirmativamente foi quando eu percebi que deveria interromper a minha viajem e continuar no dia seguinte eu estava muito cansado entrei na primeira cidade e pernoitei por ali.

Quando a minha mãe morreu eu acordei com um cachorro que uivando muito em minha porta, me levantei e o espantei, fiquei olhando até ele virar a esquina. Voltei para a cama e cachorro voltou a uivar quando amanheceu o dia tomei conhecimento que minha mãe havia morrido.

Quando minha mãe estava em coma no hospital sorocabano eu tentei ver qual o seu nível de consciência. Eu á informei o que se passava. Peguei em sua mão esquerda o meu irmão segurou a mão direita conversando com ela em nossas despedidas.

Quando pedi que a minha mãe apetasse minha mão ela apertou a mão esquerda, eu pedi agora a mão do meu irmão ela apertou a mão direita. Pois percebemos que ela estava pronta para o outro lado da vida.

O curioso é que ela estava internada no Hospital da USP. Quando foi informada que seria transferida para o sorocabano ela fez um comentário. Muito bem-humorado, dizendo não! Sorocabano não! Vocês sabem porque lá chama sorocabano?

Certo dia uma senhora que ali estava para morrer chamou a enfermeira assustada dizendo para a mesma, e apontando para o braço mostrou dizendo soro-acabando soro-acabano e com isto deram nome a este Hospital!      

UM GRITO SUFOCADO PELO SILÊNCIO.


Quantas noites e madrugadas virando na cama, buscando no meu passado, o porque que todo os caminhos por onde passei, foram cheios de tropeços, porem sempre guiados por um ser superior denominado DEUS!

E a ele que em todos momentos das noites mal dormidas fico pedindo, conselhos para que possam solucionar os meus problemas. Mas como surgiram os meus problemas e quais são eles? Existem problemas que não tenham solução?

A partir de quando eu perdi a minha estrada ficando preso a uma encruzilhada sem saída. Eu sei que não cheguei a este mundo por acaso. Eu devo ter uma missão a cumprir.

Será que vou passar pela vida sem saber qual o meu papel a ser cumprido; eu só posso contar com um ser superior para mostrar qual o caminho a seguir, mas de tanto pedir, chego a pensar que não mereço esta resposta.

Quando eu busco no meu passado aquela pequena trilha por onde eu comecei os meus primeiros passos, eu começo a perceber o quanto a minha caminhada foi longa e cheia de tropeços. Isto me leva a crer que há um ser muito poderoso acompanhando meus passos, caso o contrário, já poderia ter ficado pelo caminho como tantos outros.

Mas eu estou tentando descobrir porque procurei tanto a felicidade em tudo àquilo que faço e tropecei em todos os momentos. Eu não acredito no acaso ou será que todos nós já nascemos predestinados a ser ou não felizes, não poderíamos mudar o caminho no meio da estrada. 78 anos de janela.

O meu amanham a deu pertence. PALMÉRIO 11/02/2021. 

domingo, 22 de dezembro de 2019

LIVRO DA VIDA.

REFLEXÃO.

O QUE É UMA FAMÍLIA?

Busquei a vida inteira até os 80 anos de idade, e não consegui agora percebo todos estão contra há mim. Chego à conclusão que único errado sou eu. Que provoquei tudo com a minha depressão. Este documentário está sendo fechado.12/10/2022! Por incrível que pareça nesta data que é dia das crianças eu não tive o direito de abraçar ninguém alem de criança deficiente mental que me adora!   

No ano de 2020 passamos por vários desafios marcantes, já foram cancelados aproximadamente 200 mil títulos de eleitores perdidos pela morte provocada pelo corona-virós. Será que você está mesmo preocupado com quem será o presidente que nunca mais vai se lembrar de você antes da próxima eleição  se o Bolsonáro passou  quatro anos fazendo promessa e não e fez nada. 

Afinal há uma contradição, se o voto é um direito deixa de ser uma obrigação se eu resolver ir pescar no dia da eleição a multa custa menos que um picolé, vale apena você se arriscar a contaminar na fila com corona?  Afinal a resposta para a incompetência a gente dá é nas urnas. Vá pescar!

NO BRASIL DE BOLSONARO.

Estamos convivendo com Zica, dengue, Chikungunha, e os ratos atacando os gatos que sai dos matagais que cercam as nossas casas, e ainda temos que dar carona para o corona. Porem, o nepotista Bolsonaro está cavando a sua própria cova, para manter os filhotinhos nos seus ninhos. Que pena! Vamos depena-los! Se você gosta da ditaduraVá pra a casa curtir sua quarentena.  

FATO HISTÓRICO.

Este documentário teve seu início em 30 de agosto de 1942. Quando nasceu o terceiro filho de Diolinda Maria de Souza, e Olímpio Batista Leite em uma escala de nove irmãos que levou o nome de Gercir Palmério de Oliveira. Este nome teve a composição de Palmério por parte do meu avô materno e Oliveira do meu avô paterno. Éramos uma família de camponês muito pobre que vivia do trabalho na agricultura.

O tempo perguntou ao tempo. Que tempo que o tempo tem. O tempo respondeu. Espera que o tempo invemCom dois anos de idade o meu computador mental já registrava os primeiros acontecimentos, eu me recordo dos meus cabelos castanhos aloirados e longos e eu já fugia de casa indo me esconder na casa de meus tios enquanto minha mãe me procurava pelo quintal.

O meu pai era muito habilidoso no manuseio com madeiras e improvisava os nossos brinquedos fazendo carrinhos de madeiras, as rodas eram feitas com carretel de linhas e a carroceria era feita com latas de sardinhas. O meu pai usava uma madeira que já está extinta no mercado brasileiro, com o nome de canjerana era uma madeira vermelha macia e muito cheirosa.

No final da década de quarenta fomos morar no município de matutina e até esta época ninguém tinha certidão de nascimento. Foi quando o meu pai aproveitando de uma campanha política resolveu fazer um registro coletiva ficando uma grande parte da família como se fosse nascido em Matutina e não em São Gotardo.

Recordo-me que meu avô paterno, nos seus últimos anos de vida, já estava paralítico e se movimentava em uma cadeira de rodas. Ele era um pouco calvo, cabelos brancos e barbas longas. Era muito parecido com o famoso barão estampa da moeda da época. Morreu por volta de 1945. Em 1948 a gente já contava com seis irmãos.

Como não éramos donos da terra estava sempre mudando enquanto por outro lado, os latifundiários sugavam o suor dos trabalhadores no campo. Mas imperava a pobreza absoluta e quanto maior a quantidade de filhos, maior era a lucratividade dos fazendeiros, porque o trabalho das crianças não era remunerado.

Eu nunca tive a oportunidade de saber o verdadeiro grau de estudo de meu pai, mais pela letra muito bem traçada em seus manuscritos e pela sua inteligente, ele dizia que o homem só era respeitado pelos seus conhecimentos.

Por volta de 1955, como os meus pais não tinham meios para sobrevivência na cidade, acabamos indo de novo para o trabalho braçal, só que desta vez fomos para a lavoura de café, na região de Campos Altos e Cachoeirinha. Mais uma vez fiquei doente e de novo a falta de médicos me levou a curandeiros, desta vez foi o sarampo que quase me deixou cego. Voltei a ter alucinações.

Em certo dia eu estava acamado e muito doente quando um gato preto pulou em cima de minha cama, eu odiava gato preto. Peguei o bicho pelo rabo e atirei contra a parede, escutei miado assustador o bichano desapareceu.

UM SER CELESTIAL.

30 de agosto eu completei 78 anos de vida devidamente acompanhada por Deus que é meu protetor por todos os momentos de minha vida. Estou contando com a vontade de Deus para continuar por mais alguns anos pois eu não tenho pressa para morrer. Obrigado senhor por mais um ano de vida. No dia 4/9 aniversário de minha esposa, dia 5/9 aniversário de casamento, só uma verdadeira heroína  para ficar ao meu lado por 56 anos, parabéns querida...   

UM GRITO SUFOCADO PELO SILÊNCIO.
Quantas noites e madrugadas virando na cama, buscando no meu passado, o porque que todo os caminhos por onde passei, foram cheios de tropeços, porem sempre guiados por um ser superior denominado DEUS!

E a ele que em todos momentos das noites mal dormidas fico pedindo, conselhos para que possam solucionar os meus problemas. Mas como surgiram os meus problemas e quais são eles? Existem problemas que não tenham solução? A partir de quando eu perdi a minha estrada ficando preso a uma encruzilhada sem saída.

Eu sei que não cheguei a este mundo por acaso. Eu devo ter uma missão a cumprir. Será que vou passar pela vida sem saber qual o meu papel a ser cumprido; eu só posso contar com um ser superior para mostrar qual o caminho a seguir, mas de tanto pedir, chego a pensar que não mereço esta resposta.

Quando eu busco no meu passado aquela pequena trilha por onde eu comecei os meus primeiros passos, eu começo a perceber o quanto a minha caminhada foi longa e cheia de tropeços. Isto me leva a crer que há um ser muito poderoso acompanhando meus passos, caso o contrário, já poderia ter ficado pelo caminho como tantos outros.

Mas eu estou tentando descobrir porque procurei tanto a felicidade em tudo àquilo que faço e tropecei em todos os momentos. Eu não acredito no acaso ou será que todos nós já nascemos predestinados a ser ou não felizes, não poderíamos mudar o caminho no meio da estradaO meu amanham há Deus pertence. PALMÉRIO 80 anos de janela  nesta longa estrada da vida.

A DEPRESSÃO.
Tem gente que fica procurando lá fora, o que perdeu em casa. Tenta substitui por animais, plantas, crianças na rua, ou conversando com Deus durante a solidão. Vem o desespero e a depressão. A gente vai se distanciando das pequenas coisas que realmente fazia toda a diferença eu olho para traz e choro! Eu era feliz e não sabia. Valeu a pena! Que pena! Muita saudade ficou.

O que penso sobre vida e morte.
A quem pertence à vida e quem tem o direito de tira-la. A vida foi dada por Deus, portanto somente ele tem o direito de determinar quando será o seu fim. Viva intensamente a cada segundo de sua vida, pois a morte poderá chegar quando você pensa estar muito feliz.

O que é viver ou morrer?
Viver é amar e ser amado, ser feliz e fazer as pessoas que relaciona com você viver feliz, ter com quem conversar, se reunir em família, conversar e sorrir. O que sempre busquei na vida foi ser respeitado e não temido.

Morrer é perder tudo isto! 
Quando você não tem mais com quem conversar, quando você perde o seu espaço, quando você perde a fé o amor à esperança, você está morto e não percebeu. Eu já estou tentando sair do buraco em que cai e nem percebi que a vida passou.

Eu já estava sepultado, só não aceitei a ideia de desistir de correr atrás do que perdi, pois eu nunca fui um perdedor; eu não aceito perder nem para a morte! Sou muito arrogante para entrar nesta briga, afinal quando eu for prestar contas com o todo poderoso serei humilde. Pois de acordo com as escritas quem segura nas mãos de Deus tem vida eterna. Que tal acreditar!

O que penso sobre a fama?
Palmério se tornou em um dos mais polêmicos. Porque quando os que se julga poderoso tenta me pisar eu viro o bicho e puxo o seu tapete sem dó. Para estes poderosos de meia tigela eu digo de boca cheia; acima de mim só Deus!

O que penso sobre estrelismo.
Eu nunca dei colher de chá para o estrelismo; sempre tratei há todos os níveis sociais com o mesmo respeito. Estrelas eu gosto muito daquela que brilham em nosso universo. Quando as pessoas pensam que para subir e necessário pisar no seu ombro para galgar os degraus de sua escada se eu poder-me “falsear” para ver o seu tombo, pode ter certeza que eu não vacilarei.

Os falsos amigos.
O que realmente é importante não é a quantidade de falsos amigos, e sim a lealdade dos verdadeiros. Dizem os mais críticos que amigos de verdade podem ser contados nos dedos; até mesmo porque no fim de sua vida você só precisa de quatro, é um para cada alça do caixão.

O que eu penso sobre o fim do mundo?
O mundo termina todos os dias para milhares de pessoas que morem; uns vivem mais outros menos; é a lei da natureza para a renovação da espécie humana. Sorte daqueles que consegue deixar o seu nome na história. Aqui também é preciso escolher um lado para se projetar, uns praticando o bem e outros infernizando e tocando o terror.

COMO SERÁ O MUNDO DEPOIS DO CORONA?

Haverá um amanhã com beijo e abraços? Ou seremos mascarados para sempre! Como fica o nosso sorriso escondido pela máscara?

As pessoas do grupo de risco, na terceira idade não restou uma esperança de voltar o que era antes desta pandemia! Fazer reunião em família abraçar nossos filhos.

Esta porcaria desta pandemia tudo indica que vei pra ficar. Já estou beirando aos 78 anos de uma longa estrada da vida. Que pena eu não tenho tempo para esperar!

Ou estou completamente enganado! O amanhã há Deus pertence e eu não tenho pressa para morrer.

03 de agosto foi a data que morreu meu sogro em um acidente de moto em Goiânia por incrível que possa parecer na mesma moto morreram o meu sogro e 02 irmãos.

O terceiro dos irmãos recuperou a moto e também morreu acidentado. Apesar de ser o mês do meu aniversário hoje foi um dia de terror na minha vida. Palmério.

JANELA DA VIDA
Eu nasci em plena guerra mundial. Por tanto acho que sou aquela bomba que não detonou; porem o estopim está queimando há a mais de setenta anos, nos caminhos por onde passei, podem dizer que tudo eu vi, mais nada eu sei.

Eu comecei os meus passos abrindo espaço por onde passei. Não sou um cara letrado, porém muito inspirado, Só que tudo eu vi e nada eu sei. O  Getúlio foi morto com um tiro de revolver que o mordomo levava embaixo da bandeja, isto eu sei!

A caneta dorada de Getúlio. Sabemos que, Getúlio não suicidou. Porém a caneta de ouro que ele assinou a lei do salário mínimo foi destinada a Juscelino que teve um triste destino. Foi vitima misteriosa da Ave de rapina que a vida dele extermina.

Juscelino foi morto em um acidente batendo de frente contra um ônibus. Foi dada como acidente de um motorista imprudente, e assim como o salário mínimo que mata tanta gente, colocaram um fim na vida do mais famoso presidente.

Esta mesma caneta foi dada de presente para Tancredo que, na missa que antecedia sua posse acabou sendo vítima de uma Diverticulite bem parecida com uma “calibre doze”, cuja sua morte foi com data escolhida, mais um mártir da vida, só uma pergunta ficou.

Quem matou? Ouvindo a BBC de Londres, a voz da América e a Rádio central de Moscou, 
entre outras, esta foi a notícia que ficou. “No atentado em que foi vítima o presidente Brasileiro, Tancredo de Almeida Neves, Também morreu seu segurança” também significa que o presidente estava morto?

Dos presentes, a quem interessava a morte do presidente? Eu só sei que de todos que estavam presente entre outro o seu neto, Aécio Neves, nada foi ventilado tudo foi preparado, enganaram tanta gente, silenciaram a imprensa, levaram o idoso para a emergência, mais Sarney é quem foi o presidente.

Essa esta mesma caneta foi dada de presente de Tancredo Para o Agripino que certo dia me confidenciou que aquela caneta de ouro de Tancredo ele ganhou, por coincidência, Agripino se matou.

Em pleno Ceará onde só urubu voava por Lá cortaram a asa de castelo na ditadura militar. Mas o tal do Golbery, general que tinha o poder de matar, em nome do Gavião “Condor” agitava os militares e com muita dor deixavam em pânico os familiares.

Esta ave de rapina quando ela pega extermina, sendo considerado o maior predador do ar. Este nome condor foi dado na ditadura militar, cuja ordem era de imediato consumir, prender e matar quem pudesse ameaçar; sendo que uma grande maioria dos prisioneiros eram amordaçada e amarrada caminho Chile eram lançada do avião ao mar.

O Costa e Silva vitimado por um infarto muito suspeito têm até quem diga que foi chumbo quente no peito. Esta ave de rapina tem sempre alguém que a determina que faça o crime perfeito.

Ulysses Guimarães foi explodido sem dó tudo indica que tinha uma carta bomba no bolso do paletó, o homem das diretas já, fez sua última viajem, desapareceu como se tivesse evaporado no mar.

Por João Goulart eu tinha muita afinidade, no aniversário de seus filhos, o palhaço carequinha é que foi a grande personalidade, no teatro nocional eu estava presente à festa popular oferecida pelo presidente. Envenenado quando voltava do exílio foi morto; deixando na saudade tanta gente.

DIVAGANDO PELA VIDA. 
O que passo a relatar aqui teve seu início em 30 de Agosto de 1942, quando nasceu o terceiro filho de Olímpio Batista Leite e Diolinda Maria de Souza. Em uma escala de nove irmãos que levou o nome de Gercir Palmério de Oliveira.

Este nome teve a composição de Palmério por parte do meu avô materno e Oliveira do meu avô paterno, este fato aconteceu em um lugarejo chamado capelinha do abaeté no município de São Gotardo estado de Minas Gerais; eramos uma família de camponeses muito pobre que, que vivia do trabalho na agricultura.

Com dois anos de idade o meu computador mental já registrava os primeiros acontecimentos.
Eu me recordo dos meus cabelos castanhos aloirados e longos e eu já fugia de casa indo me esconder na casa de meus tios enquanto minha mãe me procurava pelo quintal de casa.

Eu nunca tive a oportunidade de saber o verdadeiro grau de estudo de meu pai, mais pela letra muito bem traçada em seus manuscritos e pela sua politização se percebia que ele era muito inteligente, sempre dizendo que o homem só era respeitado pelos seus conhecimentos.

Já a minha mãe sempre dizia que os seus pais comentavam que mulher não precisava estudar para ser dona de casa, ainda não existia a emancipação da mulher; mas a educação que os dois passaram para os nove filhos do casal era impecável, ninguém se atrevia em faltar com o respeito a qualquer um dos dois.

Recordo-me que meu avô paterno, nos seus últimos anos de vida, já estava paralítico e se movimentava em uma cadeira de rodas. Ele era um pouco calvo, cabelos brancos e barbas longas. Era muito parecido com o famoso barão e morreu por volta de 1945, com 83 anos de idade.

Eu não cheguei a conhecer a minha avó paterna. Já o meu avô materno era muito sistemático e impunha o respeito. Além de agricultor, era caixeiro viajante. Ele tinha um bom carro de boi, no qual levava produtos da agricultura para a região de Uberaba e voltava com o carro cheio de roupas, tecidas e utensílios domésticos.

Quando o meu avô faleceu em 1956, a minha avó passou a morar com os filhos até sua morte em 1962. Por volta de 1946 a gente tinha uma criação de cabras, porcos e galinhas que ajudava na nossa alimentação. O meu pai me colocava na garupa de um cavalo e me levava para a roça e por lá a gente ficava a semana inteira. Com quatro anos de idade eu já buscava água em uma cabaça para matar a sede dos outros que estava trabalhando na lavoura.

Em 1948 a gente já contava com seis irmãos; como não éramos donos da terra estava sempre mudando enquanto por outro lado, os latifundiários sugavam o suor dos trabalhadores no campo. Mas imperava a pobreza absoluta e quanto maior a quantidade de filhos, maior era a lucratividade dos fazendeiros, porque o trabalho das crianças não era remunerado.

No final da década de quarenta fomos morar no município de Matutina e até esta época ninguém tinha certidão de nascimento. Foi quando o meu pai aproveitando de uma campanha política resolveu fazer um registro coletiva ficando uma grande parte da família como se fosse nascido em 
Matutina e não em São Gotardo.

Por volta de 1950, eu tive uma desidratação quase fatal. Por falta de médicos e excesso de crendice, os meus pais começaram a me levar em curandeiros e charlatões. Tinha nesta fazenda certa vizinho, que se atendia pelo nome de Farnésio, que se dizia ter um pacto com o diabo e começou a fazer garrafada dizendo que ia me curar usando a sua feitiçaria. Nesta época morando em uma fazenda chamado barro preto.

O meu pai era muito habilidoso. No manuseio com madeiras e improvisava os nossos brinquedos fazendo carrinhos de madeiras, as rodas eram feitas com carretel de linhas e a carroceria com latas de sardinhas.

O meu pai usava uma madeira que já está extinta no mercado brasileiro, com o nome de canjerana era uma madeira vermelha e muito cheirosa com a qual ele fazia nossos brinquedos.

Cansado de ficar deitado em uma esteira esperando pela morte, já muito debilitado eu pedi que celase um cavalo porque eu ia à cidade. Quando eu voltava, passando por uma cava eu avistei pela frente um bode que estava chifrando as pedras e soltando fogo pelos chifres, com cheiro de enxofre.

Eu cheguei à espora no cavalo que passou a galopar, só indo parar no curral de minha casaForam vários casos de alucinações que permanece a dúvida em minha cabeça porque eu não consigo imaginar isto como um fato real Já com oito anos, morando na roça, em um passado tão distante, escola era um luxo que só quem morava na cidade tinha direito.

Por várias vezes tentamos estudar em pequenas palhoças improvisadas lá na roça como se fosse escola, mas as constantes mudanças de um lugar para outro tornavam quase impossível um aprendizado matriculava em outra escola, se mudava; começava tudo de novo em outra. Já tinha uma noção bem clara para distinguir o certo e errado.

No começo de 1950 fomos morar em uma pequena cidade chamado Pouso Alegre, que fica entre o Rio Parnaíba e Arapuá. Morando na cidade e indo trabalhar na agricultura era muito difícil.

Nesta época eu fui trabalhar em um engenho que fabricava rapaduras. Distante dos pais, eu passava a maior parte do tempo em um rancho improvisado, cercado por lobos que uivavam a noite inteira na beira do rancho de pau a pique.

Ainda não tinha nove anos eu era incumbido de levantar às duas horas da madrugada e sair descalço, enfrentava a geada e os lobos em busca de um cavalo e dos bois para iniciar a jornada no canavial, o único alimento possível neste horário era um ovo frito com farinha, para ganhar dois mil réis por mês.

Por de volta de 1955, como os meus pais não tinham meios para sobrevivência na cidade, acabamos indo de novo para o trabalho braçal, só que desta vez fomos para a lavoura de café, ali na região de Campos Altos e Cachoeirinha.

Mais uma vez fiquei doente e de novo a falta de médicos me levou a curandeiros.
Desta vez foi o sarampo que quase me deixou cego. Curiosamente voltei a ter alucinações. Em um certo dia eu estava acamado e muito doente quando um gato preto pulou em cima de minha cama, eu odiava gato preto. Peguei o bicho pelo rabo e atirei contra a parede.

Estas visões diabólicas vinham sempre acompanhadas de uma enfermidade e até por isto eu nunca levei a sério, porque eu estava acometido de uma desidratação violenta. Eu tomei uma decisão mais radical. Entre morrer nas mãos de charlatões ou buscar recursos médicos, eu resolvi fugir de casa e ir para a cidade em busca de socorro, isto aconteceu por volta de 1955.

Eu tinha apenas 13 anos de idade já buscava a minha independência. Com tantos problemas pela frente, tais como viver longe de meus pais e meus oito irmãos, foi tudo muito sofrido, mas buscar socorro e o crescimento intelectual era primordial e tinha um preço a pagar.

Juntei alguns pertences pessoais e pela primeira vez meti a cara no mundo, indo morar com uma tia em São Gotardo. Eu Iniciei um tratamento médico com um restabelecimento imediato.

Em plena adolescência quando aflorava a vaidade, consegui emprego em uma lanchonete e depois, aprimorando os meus relacionamentos, fui trabalhar como cobrador do ônibus que fazia a linha de São Gotardo a Campos Altos.

Neste meio tempo, os meus pais mudaram para São Gotardo e de novo eu tive a sensação de estar com a família, só que foi por pouco tempo, pois a falta de trabalho na cidade levou os meus pais de novo para o campo.

Algum tempo depois, para o meu desespero, os meus pais resolveram que iriam se mudar para Goiás. Só aí eu percebi que estava sozinho no mundo e que dali para frente eu teria que construir um futuro para minha vida. E apesar da falta de escolaridade, eu pude perceber que a educação que eu havia recebido de meus pais era a base suficiente para me guiar pela vida.

Como todo adolescente, passei por todas as tentações do mundo. Fiz muitas besteiras que poderia ter evitado, caindo para aprender a levantar e apanhando para aprender a bater. Respeitando o orgulho que meus pais tinham dos filhos, honrando a tradição de uma família conhecida pela sua honestidade.

Mas a saudade de minha família, que havia partido para o estado de Goiás, batia no peito machucando um coração despreparado de um jovem que buscava um ombro amigo para chorar e um caminho a ser seguido na vida.

As lembranças de um caminhão partindo com a mudança e todos acenando com a mão, o cachorro que acompanhou latindo até certa distância e, quando parou, olhou para trás e voltou balançando o rabo e deitou nos meus pés a me lamber, acabou por me consolar pela perda de um lar que também era seu.

A partir deste omento, eu tinha que conviver com um fato novo: a saudade e a sensação de perda de uma família tão bonita que havia partido para tão distante. Eu comecei do nada indo morar em um quartinho nos fundo de uma oficina da empresa que trabalhava.

Não tinha nada além de uma caminha velha e uma torneira do lado de fora, que era usada para colocar a mangueira e lavar os carros. Para tomar banho eu usava uma bacia e para aquecer a água eu improvisei uma resistência isolada de um chuveiro e ligada em uma tomada.

Então eu colocava dentro da bacia e quando aquecia eu desligava.
Para as minhas necessidades, eu usava o sanitário dos mecânicos que ficava do outro lado da oficina. Em pleno início da juventude com 16 anos de idade eu era um alvo fácil e vulnerável para estar sozinho no mundo.

Nesta passagem da vida, a gente quer se afirmar como homem e é aí que mora o perigo. Você pensa que para ser “homem” tem que fumar beber e frequentar casas noturnas. Foi só aí que falou mais alto a base familiar que eu tinha recebido. Antes de tomar qualquer decisão, eu me lembrava de que tinha que honrar a dignidade e a honestidade implantada pelos meus pais, que tanto se orgulhavam dos filhos que tinham.

Mas, mesmo assim, acabei ficando com o imperdoável vício do cigarro por 37 anos de minha vida. A ficha realmente caiu quando eu percebi que para começar a construir qualquer futuro para a minha vida eu precisava esperar a maioridade.

Sozinho no mundo eu não podia nem mesmo, tentar localizar os meus pais em outro estado, eu seria um alvo fácil para a fiscalização porque não podia viajar desacompanhado. A lembrança e a saudade me consumiam a ansiedade para me libertar e poder sair pelo mundo em busca de outras conquistas alongavam o tempo e os dias não passavam. Como eu só podia pensar em sair pelo mundo quando documentado.

Comecei a me preparar para isto, passando a conviver um pouco mais em sociedade e participando ativamente da campanha política que, com a famosa vassourinha, elegia em seguida o Jânio da Silva Quadros a presidente da república. Enquanto aguardava ansiosamente a maioridade, eu não podia vacilar, levava uma vida bem retraída e limitada.

Eu tinha alguns poucos amigos com quem dividia confidência e participava da vida social da época sem exageros, mas tinha na minha cabeça uma decisão formada. Era só completar dezoito anos e pegar qualquer documento que eu iria à busca de uma grande cidade.

E assim aconteceu. Mais uma vez a sensação de perda dos amigos que me ampararam na ausência de minha família e até mesmo o medo de enfrentar sozinho o desconhecido mundo novo que começaria a partir daquele momento.

Como responsável pelos meus atos meti a cara no mundo e fui ver o que me esperava lá fora. Despedi-me dos amigos, e da namoradinha que tentava fugir comigo escondida de seus pais, tendo-lhe deixado do lado de fora do ônibus com uma mochila nas mãos aos prantos.

Eu saí com destino a Uberaba, para de lá pegar um ônibus para Brasília. Quando cheguei a Uberaba, o ônibus já havia partido. Eu peguei um táxi para alcançá-lo em Uberlândia, me lembro bem, foi um cinca chambord.

Embarcando em direção a Brasília em um ônibus lotado, sentado em uma caixa de ferramentas no meio do corredor. Resolvi pernoitar em Goiânia. Indo em seguida para BrasíliaNa década de sessenta aconteceu quase de tudo em minha vida. Eu fui o vilão e o mocinho ao mesmo tempo.

Quando eu cheguei a Brasília comecei a sentir o peso da responsabilidade, fui morar em uma pensão feita pelos chamados candangos na cidade livre, que era uma verdadeira favela.

Toda feita em madeiras sem nem uma estrutura básica, com os ratos passando por cima da cabeça, e convivendo com todo tipo de gente. Eu não tinha nem uma reserva financeira e precisava urgente de conseguir um trabalho para me manter.

Comecei desesperadamente procurar por um emprego. Os dias foram passando e o dinheiro acabou eu fui obrigado a deixar a pensão e sair com a mala na mão em busca de um abrigo.

Perambulando pela cidade por coincidência me deparei com Geraldo Magéla; um grande amigo e conterrâneo, que estava trabalhando em uma banca de jornal, confidenciei a minha situação e pedi para me deixar dormir ali na banca dele.

Penalizado com a minha situação ele me respondeu que não tinha uma cama nem espaço, mais convencido que eu estaria como um guarda noturno acabou permitindo que eu passasse a dormir em um banco de madeira, forrado e coberto com jornais velhos. 

Continuei a perambular pela cidade batendo de porta em porta em busca de algum tipo de serviço, porque eu precisava me alimentar. Em um alojamento de uma construção eu conheci uma paulista de bom coração que tinha um restaurante popular para servir os peões da obra.

Após dizer a ela de minhas dificuldades solicitei que deixasse lavar as louças em troca de um prato de comida. Ela me ofereceu que eu passasse a me alimentar ali e quando eu começasse a trabalhar eu pagava para ela. Eu almoçava, e a noite tomava uma sopa.

Com o problema resolvido provisoriamente pernoitando na banca de jornal sem cama nem coberta as noites se tornavam longas e frias, o que me levava à saudade do calor de minha família e caia no desespero. Afinal eu não desistia e mais um dia a perambular pelas a cidade em busca de emprego.

Certo dia andando pelo aeroporto de Brasília, deparei-me com um senhor que acabava de desembarcar de um voou chegando de São Paulo. Este senhor me indagou, se eu conhecia bem Brasília, respondi afirmativamente.

Ele contratou o meu dia de serviço como guia, após andar com ele o dia inteiro em um carro alugado. De volta ao aeroporto eu já havia confidenciado a ele as minhas dificuldades na cidade de Brasília

Ele penalizado com a minha situação perguntou quanto eu ia cobrar pelo dia de serviço, eu respondi, você me ajuda com o que quiser, ele meteu a mão na pasta e me deu em dinheiro limpo o equivalente a um salário mínimo e ainda me agradeceu pelo serviço.

Com esta injeção de ânimo eu voltei para o barraco cheio de planos, pedi para um amigo para que deixasse tomar um banho lá no seu apartamento, tirei da mala um terno amarrotado e levei ao tintureiro e pedi que desse um trato.

Vesti-me decentemente, fui à cantina da mulher que me servia comida e mandei somar a conta e disse a ela, hoje recomeça a minha vida. Foi a partir daquele dia que eu percebi que para sobreviver na cidade de Brasília teria que ser bem mais atirado. Eu mudei completamente; passei a frequentar a vida noturna e mostrar o meu charme nas boates e cabarés da cidade.

Na flor da juventude passei a viver perigosamente, depois daquele dia parece que tudo mudou como se por encanto, não me faltava mais o dinheiro, só que o mocinho saiu de Sena, eu passei a viver o vilão arrogante e dono da verdade, ganhar dinheiro era apenas parte da solução.

Em certa noite frequentando a boemia da cidade eu fui convidado para gerenciar uma boate, acertado as condições de trabalho eu comecei imediatamente, mais o preconceito era muito grande e eu precisava de um registro em carteira, resolvi acumular trabalho fui trabalhar também como balconista de um bar, este sim foi meu primeiro registro em carteira.

com o dinheiro em abundância começou também a ganância e eu comecei a voar mais alto. O dono daquela banca de jornal que me serviu de abrigo resolveu ir embora para São Paulo e me ofereceu se eu não queria ficar com a banca, eu aceitei de imediato.

Com mais experiência eu fiquei um pouco mais esperto, eu fui orientado por um amigo, que a maioria dos apartamentos funcionais do setor J.K.Eram invadidos.
Isto me incentivou fazer o mesmo. Este amigo me ajudou invadir o apartamento vizinho ao seu, resolvendo assim o meu problema de moradia, mas a minha vida de boemia extrapolava.

Em certa noite eu cheguei em casa em um estado de embriaguez, a ponto de ter o apartamento invadido por ladrões que levaram tudo, sem que eu percebesse Nada. Só não levou o dinheiro porque estava em baixo do travesseiro. Convivendo com funcionários do Governo eu acabei conseguindo uma vaga no restaurante do Ministério do Trabalho.

O meu relacionamento na área do governo acabou me oferecendo um vasto campo de conhecimentos e oportunidades, trabalhando no ministério do trabalho e cuidando da banca de jornal eu percebi que poderia ir mais longe.

Resolvi montar uma firma de representações e comecei vendendo olho mágico para os apartamentos. Foi sucesso absoluto, em pouco tempo eu já estava com trinta vendedores. A banca de jornal que no início era um barraco já. Acompanhava os padrões das construções de Brasília, toda construída em alvenaria e vidros e com sanitário.

Trabalhando no ministério e com um garoto cuidando da banca de jornal e administrando outros trinta funcionários. Eu usava e abusava do dinheiro, chegando a ganhar trinta salários por dia e proporcionando um ótimo salário para os meus vendedores que eram comissionados.

isto fez com que eu me relacionasse com altas patentes da sociedade, morando em um apartamento convivendo com a alta cúpula do governo e com a situação financeira e social bem resolvida. Eu tinha as portas abertas por onde passava.

Minha amizade com o alto escalão das forças armadas e do governo era das melhores, eu comecei a perceber que o governo Jânio da Silva Quadros, já não tinha mais sustentação, as promessas de campanha não estavam sendo cumpridas corretamente.

A pressão dos aliados do seu opositor de campanha, o general Lote, era insustentável, o grande erro do governo Jânio Quadros foi principalmente, baixar o salário dos militares; depois, mandar de volta os candangos para suas cidades de origem, parando quase todos os canteiros de obras de Brasília.

O caldeirão começou a ferver nos bastidores das forças armadas, portanto a queda de Jânio já era certa. Logo em seguida começava à tomada de poder que deu início a chamada revolução de 64 na verdade iniciou 61. O que vinha acontecer a seguir foi muito maior do que relata a nossa história porque a partir daquele momento começou a censura da mídia.

Como eu trabalhando com a imprensa escrita, comecei a perceber que o que estava sendo publicado não correspondia com os verdadeiros fatos que estava acontecendo. Começou uma verdadeira recessão, o dinheiro desapareceu do mercado, as forças armadas começaram a se preparar para uma possível guerra civil, o pessoal que estava alistado para o serviço militar começou a serem convocados inclusive os dispensados como no meu caso, e ninguém queria servir de bucha de canhão.

As forças armadas se divergiam e Brasília, como o centro das atenções já não era mais uma cidade segura para se viver, até que certo dia, uma Sena chocante na esplanada dos ministérios, o que já era esperado aconteceu.

O senhor Jânio da Silva Quadros presidente da república, estava lendo a carta de renúncia de maneira no mínimo estranha, em frente um pelotão de fuzilamento armados até os dentes; ele mesmo declarou mais tarde que forças ocultas tiraram-no do poder.

A partir deste momento os generais tentaram assumir o poder em lugar do vice-presidente João Goulart, legitimamente eleito pelo povoA resistência para sufocar a tentativa de golpe militar foi imediata, enquanto isto o presidente da câmara Ranieri Mazille assumia interinamente a presidência da república na tentativa de evitar que os aliados de João Goulart se fortalecessem na união contra o golpe militar.

Leonel Brizola, que na época liderava a região sul do país formou uma frente de oposição contra a tentativa de golpe dos militares, mais como se comunicar com o resto do país em pleno estado de sítio, as garantias fundamentais foram cerceadas e o toque de recolher tomou conta do Brasil, todas as pessoas que se reunissem nas ruas, eram presas como agitadores e subversivos.

Mais colocar o Jango no poder era uma questão de honra, mesmo que para isto tivesse que colocar em prática a desobediência civil. Com todos os meios de comunicações fora do ar, ficou fácil para o Leonel Brizola colocar a rádio dele falando lá do Rio Grande do Sul.

Com isto manter firme a sua posição de liderança para colocar no poder o legitimo mandatário o vice-presidente João Goulart. As forças armadas por sua vez reforçaram o cerco fechando Brasília por terra e ar, ninguém chegava ou saia sem passar pela rigorosa vistoria.

O governador de Goiás Mauro Borges se aliou ao Leonel Brizola colocando todas as forças armadas sobre o seu comando nas ruas. Até mulheres com tudo que tinha em casa que pudesse ser usado como armas, foice, facão, machados e até vassoura e panelas foram para as ruas em favor da democracia.

Estava tudo armado, Brasília seria o palco da tragédia sanguinária que estava para acontecer. O confronto se tornava inevitável, até que o Leonel Brizola juntamente com o Mauro Borges então Governador de Goiás tomaram uma decisão corajosa, resolveram atacar os opositores das forças armadas que estava a favor da ditadura e deram posse ao João Goulart.

O Leonel Brizola saia do sul com o João Goulart acompanhado por uma escolta armada e Mauro Borges saia de Goiânia também escoltado pela aeronáutica e se juntaram no espaço aéreo de Brasília.

O que veio a seguir foi uma das partes mais emocionante que eu poderia presenciar em toda a minha vida, mais não faz parte da história deste país, quando sobrevoavam Brasília tentando ordem para aterrissar foram avisados que seriam abatidos. Insistiram que iam pousar quando foi dada a ordem para atirarem contra os aviões.

Neste momento aconteceu à insubordinação os comandados viraram contra os seus comandantes e mantendo-os sobre a mira tomaram a torre do aeroporto e autorizou o pouso.

Uma euforia tomou conta do país e as forças aliadas sufocaram a tentativa de golpe, em poucos minutos a população já tomava conta de Brasília, formaram uma verdadeira carreata para acompanhar o cortejo até o palácio da alvorada e em seguida dando posse ao novo presidente.

que em seu discurso tranquilizou o povo brasileiro e pediu o retorno à normalidade. Os generais não se deram por derrotados e enquanto Jango começava articular o seu plano de governo, as forças armadas mais do que nunca, colocavam em prática o mirabolante plano de uma tomada do poder.

Silenciosamente para não cometer o mesmo erro, começaram a juntar os cacos do que restou e lentamente iam mostrando que era apenas uma questão de tempo. Por outro lado o governo de Jango ganhava cada vez mais popularidade na área social, a política implantada por João Goulart era muito mais do que o povo esperava de Jânio da Silva Quadro.

Jango era a pessoa certa para continuar a sucessão das obras deixadas por Juscelino. Nesta altura eu era mais uma vítima da recessão, a situação financeira já não era das melhores e Brasília com a pressão da guerra fria provocada pelos generais, não era mais um lugar seguro para se viver.

Para completar a minha insegurança o meu nome fazia parte da lista para servir o exército, eu resolvi usar o meu círculo de amizade para buscar uma alternativa que não fosse o serviço militar. Até mesmo porque eu teria que abandonar tudo para perder um ano no exército e eu jamais me colocaria ao lado das forças armadas, contra a democracia.

Eu revelei a minha situação para o Coronel Cavalcante que era um amigo de vida noturna na cidade, na minha confidência eu o coloquei a par da minha posição em relação ao exército. O Coronel Cavalcante me aconselhou que a única solução fosse desertar-se e desaparecer da cidade por algum tempo e depois procurar por ele em São Paulo para regularizar a minha situação militar.

De qualquer forma eu teria que abandonar tudo que havia conquistado em Brasília. Depois de mais de três anos distante de minha família eu acabei resolvendo articular o tão esperado reencontro. Quando os meus pais mudaram de Minas para Goiás, eles foram para o município de Rubiataba, a localização não foi tão difícil.

Depois de tantos anos distantes dos meus pais tivemos um reencontro muito emocionante. Mais eu não conseguia me adaptar com a vida pacata lá da roça e logo começou o grande problema. O dinheiro estava acabando e eu precisava dar um rumo para minha vida, afinal eu era considerado um desertor do exército que poderia ser preso a qualquer momento.

Um dia eu arrumei uma confusão com o delegado da cidade que se achava dono da verdade, como eu não sou de levar desaforo para casa, resolvi dar uma mãozinha ao prefeito da cidade, que era amigo da família, fizemos um abaixo assinado para substituir a cúpula da polícia que não passava de um grupo de pistoleiros.

A desavença com este tipo de gente no norte de Goiás era morte certa, agora eu tinha um verdadeiro motivo para colocar de novo os pés na estrada e mais uma vez a triste despedida da família, saí sem destino certo, porém, com uma certeza.

Eu tinha que chegar em Goiânia e passar na no C.R.M para entregar o abaixo assinado pedindo a substituição do delegado e todos os seus comandados por completa incompetência e pela prática de coronelismo em Rubiataba Goiás.

Eu pernoitei na cidade para organizar as minhas ideias, durante a noite eu conferi o bolso para saber que rumo a tomar, porque o dinheiro estava acabando
Resolvi embarcar de trem para São Paulo que era mais econômico. Quando cheguei à estação da luz em São Paulo o dinheiro que eu tinha era o suficiente para pagar uma passagem no transporte coletivo. 

Eu caminhei a esmo até o Anhangabaú, peguei um ônibus com destino ao lago de pinheiros, com uma mala nas mãos e fui à luta imediatamente em busca de emprego, subi a rua Teodoro Sampaio batendo de porta em porta em busca de algum tipo de trabalho que eu pudesse fazer. Afinal eu tinha que recomeçar tudo da estaca zero.


Mais o destino me reservava uma grande surpresa, ao entrar em uma panificadora na maior cidade da América Latina me deparei com Geraldo Magela. Coincidência ou não, a mesma pessoa que havia me socorrida naquela banca de jornal lá em Brasília, voltava a me socorrer em São Paulo.

São muitas as coincidências, éramos da mesma cidade São Gotardo em Minas Gerais. E o encontrei por acaso em Brasília depois encontrei de novo em São Paulo, o nosso elo de amizade era muito grande, sempre que mudava de cidade o destino se incumbia do nosso reencontro. Nesta mesma panificadora ele me arrumou emprego e em uma pensão ao lado eu consegui cama e comida.

Um dia eu resolvi conhecer a cidade, mais a minha memória foi além desta vida, quando eu andava pela rua das palmeiras no bairro Santa Cecília, um fato muito intrigante me aconteceu, percebi que já conhecia aquela região e comecei a andar pelo bairro, como se realmente conhecesse.

Eu tinha uma visão clara dos nomes das ruas por onde passava sem que ninguém me dissesse nada a respeito, eu falava com os meus botões, que subindo o bairro eu ia encontrar a Rua Jaguaribe e a minha direita estava à Avenida Angélica, tudo isto à primeira vista, foi como se eu estivesse de volta a uma vida passada. Com parte do problema resolvido.

Eu comecei a correr atrás da solução do serviço militar, com a ajuda do meu amigo lá de Brasília que morava em São Paulo, não foi difícil, o Coronel Cavalcante me conseguiu um certificado de reservista de terceira categoria por excesso de contingente, pouco tempo depois eu tomei conhecimento que este amigo havia morrido em um acidente de carro a caminho da Bahia.

Depois de algum tempo trabalhando nesta panificadora, resolvi fazer uma viagem para visitar os familiares em Goiás; em minha volta resolvi passar uma temporada na casa de uma tia que morava em Uberlândia, foi quando o cupido me apresentou Dirce Mendes de Oliveira, nesta época eu tinha várias namoradinhas espalhadas pelo Brasil, mas não levava nada muito a sério.

Como a minha vida de solitária não me oferecia estabilidade, eu acabei resolvendo acreditar nesta relação, fiquei por algum tempo morando em Uberlândia. Quando voltei para São Paulo fui trabalhar de novo no mesmo emprego que havia abandonado antes.

Namorando por correspondência, fiquei noivo e comecei a montar uma casa, comprei o mínimo necessário e marquei o casamento. Nesta época o fato mais marcante que aconteceu na política internacional foi o assassinato do presidente Kennedy em Dallas nos Estados Unidos. Quando viajei para o meu casamento ao chegar em Uberlândia, encontrei a minha noiva de luto. 

Fazia um mês que seu pai havia morrido em um acidente de moto em Goiânia. Foi um casamento sem festa e em seguida a lua de mel literalmente feita de trem, fomos para São Paulo e em seguida pegamos o trem para Santos, viajar de trem nesta época era uma opção bem emocionante, descer de trem a serra de Santos era um verdadeiro luxo.

O casamento transformou a minha vida, saiu de Sena o boêmio aventureiro e deu lugar a um homem responsável de pés no chão em busca de um futuro. O meu casamento aconteceu em mil e novecentos e sessenta e quatro.

Em seguida o presidente João Goulart anunciou uma série de medidas sociais, entre elas o aumento de cem por cento no salário mínimo. Isto foi a sua sentença de morte, os militares só estava esperando uma oportunidade para uma tomada de poder, o golpe militar aconteceu de surpresa, a partir deste momento começaram a mandar para o exílio todos que pudesse contrariar a ditadura militar.

entre eles Juscelino Kubitschek, João Goulart, Leonel Brizola e vários outros. durante todo o tempo da ditadura o que presenciamos neste país foi uma verdadeira carnificina, todos que tentava se rebelar contra o sistema ou eram mortos ou expulsos do Brasil.

Pelo que pudemos perceber os próprios generais que eram colocados no poder, não passavam de fantoches. Quem não obedecia ao General Golbery ou simplesmente eram vítima de um acidente como aconteceu com o Castelo Branco que cortaram a asa do seu avião lá no Ceará.

Costa e Silva, que teve um infarto com gosto de chumbo quente no peito. O Brasil é recordista mundial quando se trata de mistérios nas mortes estranhas de políticos que ocuparam o cargo de presidente da república, começando por Getúlio Vargas, suicídio ou homicídio? Há quem diga que ele foi morto pelo próprio garçom que levava um revolver em baixo da bandeja.

Juscelino; acidente ou atentado? Afinal ele acabava de voltar do exílio com a popularidade em alta, ele tinha tudo para retomar a liderança política do país. Acabou ficando como acidente, de um motorista imprudente que enfiou o seu carro contra um ônibus da cometa em sentido oposto na Dutra.   

O João Goulart que foi encontrado morto quando preparava para voltar do exílio para o Brasil e nunca investigaram corretamente a sua morte há uma grande suspeita que seja causada por envenenamento.

O grande poder que foi dado aos carrascos da ditadura pela anistia; preferiram colocar panos quentes. Tancredo de Almeida Neves foi o fato mais curioso e muito mal esclarecido foi a diverticulite com cara de calibre doze que aconteceu com o presidente na missa da posse quando saia da Igreja lá em Brasília.

Neste caso se deram ao luxo de escolher até a data de sua morte, vinte e um de abril, sendo assim mais um mártir da independência Brasileira. Eu que trabalhava como comunicador do Rádio; tive a oportunidade de retransmitir uma nota que havia sido veiculada na B.B.C de Londres e na voz da América dizendo que, “no atentado em que foi vítima o presidente Brasileiro Tancredo de Almeida Neves também morreu seu segurança”.

Outro grande mistério foi o caso do Ulisses Guimarães que ficou conhecido como, diretas já que teve o seu helicóptero explodido quando viajava com a esposa para Angra dos Reis no litoral brasileiro, o seu corpo não foi localizado.

O Ulisses Guimarães era conhecido como o maior articulador político deste país, também conhecido como velha raposa, morrendo com ele a última das lideranças daqueles que contribuíram para a redemocratização Brasileira, colocando um fim na ditadura militar.

Durante a Ditadura o país caiu no vazio, passamos a viver com certa individualidade, eram muito poucos os que animavam a peitar os militares. Os poucos que batia de frente eram duramente castigados e até mesmo morrendo em defesa dos seus ideais, a imprensa passou a viver em torno das notícias internacionais.

O maior destaque na época foi o assassinato do presidente Kennedy e de Luther king, a chegada do homem à Lua, até que começasse a aparecer alguns mais afoitos, como o então sindicalista Luiz Inácio da Silva que acabou incorporando no seu nome Lula.

Eu como tantos outros acabei me acomodando com a situação e passei a viver a minha vida de casado voltado para o futuro, com a responsabilidade de buscar uma estabilidade e a preocupação de formar uma família.

Durante a década de sessenta eu me dediquei à profissão de padeiro chegando a ter o mair salário da cidade de são paulo. No final da década de sessenta fui trabalhar na área de vendas, fui muito bem sucedido tendo chegado a ser homenageado como campeão nacional de vendas pela Britânica.

Logo após o meu casamento eu levei a minha esposa para apresentar aos meus pais em Goiás, pois no meu casamento só estava presente o meu irmão Maurílio. Vivi intensamente o meu casamento, levamos toda a nossa família para São Paulo.

Nesta época tivemos a oportunidade de reunir praticamente toda a nossa família de novo, quando os meus pais vieram para São Paulo foram morar em um dos melhores bairros da cidade, vilas Olímpia.

Isto foi uma transformação muito radical. Um fato que marcou muito na vida de meu pai, ao chegar com a mudança pela madrugada, o meu pai com a simplicidade de um camponês, resolveu urinar encostado ao muro.

Ali mesmo ele conheceu a violência da cidade, um marginal que tinha uma oficina mecânica ao lado atacou o meu pai com chutes e pontapés deixando com vários hematomas. Quando ele tomou conhecimento que meu pai tinha nove filhos homens si mandou para o outro lado da cidade. Só que vingança é um prato que a gente come frio.

Certo dia eu descobri o seu novo endereço e fui informado que ele era extremamente violento. Quando o abordei para tirar satisfação ele me enfrentou com um machado nas mãos eu corri de encontro a uma viatura da polícia que estava parado em uma esquina ali perto e coloquei a polícia contra ele, como ele enfrentou também a polícia, foi fuzilado ali mesmo.

Eu fiquei como testemunha de legítima defasa da polícia. Os meus pais aborrecidos e inconformados com a violência sofrida na chegada a esta cidade, não ficaram por muito tempo e retornaram para Goiás.

Eu apesar de pagar aluguel, a gente vivia razoavelmente bem ficamos por dezesseis anos na mesma casa. Foi nesta época que eu acabei dando um salto maior do que as pernas acabei envolvendo o meu irmão, em uma fria.

Ele no intuito de me ajudar entrou como sócio em uma firma de representação, quando já estávamos com uma estrutura montada, resolvemos industrializar os nossos produtos, não deu certo, faltou um melhor planejamento e fomos de um estremo ao outro.

Em 1975 quando desfizemos a nossa sociedade, completamente endividado, acabei dando outro rumo para minha vida. Comprei um táxi e fui trabalhar na praça; com uma série de problemas pessoais comemos o pão que o diabo amassou. Foram várias as vezes que eu saía às quatro horas da madrugada para tentar ganhar o dinheiro do café das crianças para levá-los a escola.

Um dia o meu filho que tinha sete anos, me pegou chorando e falou, pai eu vou vender os meus brinquedos e arrumar dinheiro para você. Isto falou profundo, uma criança estendendo a mão para um pai desesperado.

Quando nós saímos desta sociedade eu não tinha como cumprir os compromissos que eu havia assumido com os bancos, eu fiz um acordo dilatando estas dividas em dois anos.

Fui à luta tentando cumprir os meus compromissos. Lentamente fui me adaptando ao novo serviço que tinha que sustentar a minha família e as nossas dívidas. eu estava conseguindo controlar a situação quando eu estava quase terminando de pagar o acordo que havia assumido com os bancos, fundiu o motor do meu carro, eu não tive como cumprir com os meus compromissos e meteram o meu nome no pau.

Por várias vezes uma vizinha que acabou percebendo a nossa situação. Ela trazia da feira uma sacola cheia de frutas e verduras para as crianças. Estávamos sendo informados que o estado de saúde do meu pai estava se agravando. 

Em 76 quando eu tentava sair desta situação com a minha esposa em estado de isolamento em casa com hepatite, um telefonema de Goiás dava a pior informação. O meu pai que havia voltado para Inhumas tinha sido vítima de um AVC fulminante. Pegamos o primeiro voou para o último adeus ao meu pai.
Para quem já estava debilitado isto me levou ao fundo do poço. Quando a cabeça está fraca a gente começa a andar pela cabeça dos outros, em busca desesperada por solução.

No começo da década de oitenta me mudei para Uberlândia indo trabalhar no Alô Brasil. viajando por este país, mesmo com a vasta experiência que tinha na área de vendas acabei desistindo e tomando outro rumo, foi quando abracei a carreira de Radialista, fui trabalhar na Rádio Globo Cultura.

Na área de publicidade. Acabei me destacando entre os outros provocando uma rivalidade com o próprio gerente. Algum tempo depois fui para a Rádio Difusora como repórter policial, quando montei o programa Cidade Alerta no período da manhã e à tarde eu comandava o Alerta Geral.

E acabei conseguindo um registro de profissão na minha carteira como Radialista, era tudo que eu queria viver perigosamente, porque sempre fui adepto ao dizer que quanto maior é a árvore mais bonita é o tombo.

Eu tinha o faro da notícia mais o meu programa começou a incomodar, eu dizia a verdade doa a quem doer, mais o preço da verdade é sempre muito alto, eu acabei comprando uma briga com uma empresa renomada da cidade por causa de um bárbaro crime praticado contra uma engenheira assassinada a mando do seu diretor.

Nesta época eu lancei um programa denominado. A voz do legislativo. Com transmissão diretamente da câmara municipal de Uberlândia todas as noites. Como repórter policial eu acabei comprando uma briga feia com o delegado regional de Uberlândia, por causa dos espancamentos que estavam praticando contra os presos.

Certa noite após a sessão da câmara eu convidei todos os vereadores juntamente com outras autoridades para uma visita surpresa na delegacia, foi quando pudemos comprovar todas as barbaridades que estavam praticando contra os presos. Uma sindicância foi aberta contra o delegado.

Rompi o contrato com a Rádio Difusora, indo para a Rádio Uberlândia, continuei a denunciar o bárbaro crime. Agora com muito mais ênfase, dando nome aos bois, foi quando começou uma série de ameaças, chegando a tentar contra a minha vida por duas vezes, como a empresa não conseguia me silenciar.

Contra a força não há resistência, compraram a Rádio para calar a minha boca.
Neste momento eu não podia ficar sem o microfone para denunciar porque eu seria um alvo muito fácil e seria a banalização da vida.

Eu fui para São Paulo e continuei a denunciar de lá através da Rádio Capital no programa do Afanazio Jazadji. Quando voltei a Uberlândia, me candidatei nas eleições de oitenta e oito como vereador para continuar com o microfone nas mãos mais as ameaças acabou se tornando insustentável a minha permanência na cidade.

Isto acabou me lavando de volta para São Paulo e mais uma vez eu fui trabalhar com táxi, Afinal eu gosto de conviver com o perigo, e mais uma vez eu tentei de novo a política, agora por São Paulo, saí cândida a vereador nas eleições de noventa e dois, quando a mídia dava destaque as minhas denúncias contra a prefeitura de São Paulo.

Na década de noventa o destinos acabou me presenteando com mais dois filhos e a partir de então eu tive que reestruturar a minha vida, com a responsabilidade de educar mais duas crianças e vivendo de favores na casa de meu irmão, eu buscava uma estabilidade, em noventa e cinco eu vim com a família passar o fim de ano em Uberlândia e acabei cometendo os cinco minutos de bobeira.

Fui convencido a comprar um apartamento que estava sendo construído no bairro Brasil, mal sabia que estava caindo nas mãos de estelionatários, isto me obrigou a voltar para Uberlândia. Eu ainda tinha a ilusão que voltaria a trabalhar no Rádio, mas após as denúncias que tinha feito no passado o meu nome havia sido banido dos meios de comunicação.

Os empresários da máfia que tem o domínio das concessões junto à o Governo nesta cidade se deram ao direito de me tirar de circulação, colocando o meu nome na lista negra como elemento nocivo aos meios de comunicação.

Foi quando caiu a minha ficha que a vida útil do brasileiro é só de quinze anos, até vinte e cinco, você é inexperiente e depois dos quarenta, você é velho. Mas para esperar completar sessenta e cinco anos para se aposentar a gente acaba caindo em um ponto sego da vida e tendo que viver de favores.

Por isto é tão difícil envelhecer neste país, pois tudo que você acumula de experiência acaba sendo jogado no lixo. A minha vida foi marcada por muita lágrimas, sempre que caia eu me levantava e levei a vida toda com a falsa ilusão de que eu ia trabalhar até o ultimo dia da minha vida, este foi o meu maior erro, não ter me preparado para envelhecer.

Como sempre, se colhe o que se planta, acabei percebendo que passei a vida inteira plantando vento, pois estou colhendo uma verdadeira tempestade. A partir de noventa e oito quando voltei para Uberlândia a minha vida se transformou em um verdadeiro inferno. Tudo começou a dar errado.

Na virada do milênio eu já comecei a colocar em pratica todos os conhecimentos que havia adquirido como auto de data metendo a cara nos livros jurídicos, foram vários os processos articulados por mim, pois eu acreditava que a justiça só não funcionava porque não era cobrado corretamente, foi ai que eu comecei a perceber que a justiça não era para os pobres.

Pois cada sentença tinha seu preço. Os salários exorbitantes que recebem os juízes e desembargadores não significam nada perto do que eles angariam nas negociatas e corrupções praticadas nas rolagens dos processos e venda de sentença, porque eles têm a certeza da impunidade.

Eu me tornei um profundo conhecedor do assunto a ponto de duvidar da importância deste conhecimento, pois eu comecei a perceber que, o desinformado não sofre pelas injustiças, porque ele se conforma com tudo.
Você pode perceber que tudo que acontece com as pessoas desinformadas tem uma resposta passiva tais como, Deus quis assim, as coisas só acontece porque era vontade de Deus, hora!

Deus não castiga ninguém, os homens travestidos de autoridades que se acham donos da verdade sim, pois como podemos perceber o mais cego dos cegos é aquele que não quer enxergar. Quando cheguei de volta a esta cidade no final da década de noventa o meu objetivo era recuperar o dinheiro investido no meu apartamento, busquei apoio da Justiça.

Pois o pouco que sabia era suficiente para saber que o contrato de compra e venda que havia assinado era completamente inconstitucional. Eu contratei um advogado e pedi na justiça a rescisão contratual com devolução de todas as parcelas pagas devidamente corrigidas e ganhei em primeira instância com direito a pagamento a vista, o réu recorreu e de novo perdeu, mas a juíza me obrigou a devolver o meu apartamento o direito de ver a cor do dinheiro.

Na virada do milênio eu busquei ajuda do Hospital de Clinicas da Universidade Federal de Uberlândia, com fortes cólicas renais, quando foi constatado que eu precisava de uma intervenção cirúrgica para desobstrução do rim esquerdo provocado por um cálculo renal, como a U.F.U. Estava em greve.

Fui encaminhado pela Secretaria de Saúde do Município devidamente agendado para uma cirurgia percutânea no Hospital São Paulo para que fosse realizada esta cirurgia, quando cheguei a São Paulo fui informado pelo médico que se eu quisesse ser atendido deveria entrar em uma fila de espera que poderia levar de seis meses a dois anos.

Eu já estava informado que um rim poderia sobreviver no máximo por trinta dias obstruídos, portanto eu não tinha tempo a perder apelei para o Hospital das Clinica, quando fui atendido por uma médica que se dizia urologista. A mesma se negou a me atender dizendo que salvar rim não era prioridade do pronto socorro.

Registrei uma queixa contra ela e procurei ajuda da imprensa, quando foi à noite recebi uma ligação do Hospital do rim se propondo a me internar no dia seguinte para os procedimentos cirúrgicos, fiquei por nove dias internado. Durante a minha internação neste Hospital que mais parecia um Hotel cinco estrelas além de tomar bicarbonato com zilorique e fazer alguns ultrassons que comprova a obstrução do rim esquerdo nada mais foi feito.

Deixando-me tremendamente irritado, quando indaguei ao médico porque esta cirurgia estava sendo protelada, se um rim não tinha sobrevivência por tanto tempo interditado, ele respondeu. “Porque está tão preocupado com um rim se você tem dois e pode viver muito bem com um só”. Sem maiores explicações me mandou de volta para Uberlândia justificando que o meu caso não era cirúrgico e sim de tratamento ambulatorial.

Somente quarenta e cinco dias depois da obstrução renal eu fui submetido a uma intervenção cirúrgica para retirada dos cálculos renais aqui no Hospital da U.F.U.
Sem se quer ter um pós-operatório para me dizer se o meu rim teria ou não sobrevivido a tantas omissões e negligencias Hospitalares, isto gerou um processo contra todos os envolvidos.

Os desgastes provocados pelo estresse que tenho sofrido me levaram a depressão e desencadeou uma série de outras doenças, tais como labirintite, hipertensão, artrite gotosa e artrose entre outras. E agora oito anos depois descobri que passei a ser portador de nefrocalcinose medular bilateral, uma doença degenerativa dos rins e isto detonou com as minhas esperanças e a cabeça vazia me transformou no verdadeiro Advogado do diabo.

O que ocupa meu tempo hoje é pesquisar as leis e infernizar a vida dos corruptos travestidos de juízes e desembargares que envergonham o judiciário. Brasileiro. Isto acaba me tornando um adepto do olho por olho dente por dente.
Se a justiça não funciona temos que fazer a nossa própria justiça, se eu fosse americano seria um bom caçador de recompensa, vivo ou morto.

Eu já me orgulhei muito deste país, mas hoje eu tenho vergonha de ser Brasileiro. Eu me tornei uma pessoa tão revoltada que acabei incorporando o personagem de um justiceiro virtual, quando ocupo o teclado do computador é como se eu estivesse com uma metralhadora nas mãos.

Abrindo fogo contra as injustiças sociais e o abuso praticado em nome da justiça brasileira. A corrupção, a venda de sentença se tornou tão banal que ninguém tem a preocupação com a ética e a moral do judiciário, porque a certeza da impunidade é que prevalece na cúpula da falsa sociedade capitalista deste País, são eles os verdadeiros donos da verdade.

Posso dar aqui uma centena de exemplos de como funciona a Justiça Brasileira, a galinha dos ovos de ouro é acumular processos para colocar a culpa no sistema, depois entra em Sena os atores das negociatas, o advogado da vítima da entrada no processo procurando fazer com base nas leis.

De outro lado o advogado dos réus contesta, sempre mostrando as falhas na aplicabilidade das leis. O juiz é o mediador, para ouvir as partes e interpretar as leis, é dono do apito. só uma das partes pode ganhar só eles não têm nada a perder, mas isto quem define é o juiz.

No caso acima está montado o palco agora entra em Sena os personagens do espetáculo. Para ganhar tempo o réu que está usando o dinheiro de suas vítimas corrompe o judiciário para engavetar o processo, a vítima cobra agilização de seu advogado, que acaba se bandeando por dinheiro; mais uma vez coloca a culpa na morosidade. Mais um dia o juiz tem que sentenciar, aí entra em campo de novo os advogados das partes para negociar o valor da sentença.

Combinado o valor, é rateado entre os três, sempre pago pela empresa do estelionatário, a partir daí vem os intermináveis recursos que rolam por toda uma vida. O jogo de interesse é tão grande que não pode esquecer ninguém na hora de distribuir o dinheiro dos otários que acreditaram na justiça Brasileira.

Os grandes são subornados e os pequenos são silenciados se quiserem permanecer vivos, de outro lado está à imprensa; que já foi conhecida como o quarto poder da união, só que está nas mãos de políticos com o rabo preso, e mil verdades minhas não vale por uma mentira bem articulada do presidente do Supremo Tribunal Federal que já mostrou que não é nada contra uma mala cheia de dinheiro. Que foi oferecida como suborno a um delegado da polícia federal.

A virada do século foi marcada por muito sofrimento, eu tive muitas perdas na família, morreram dois irmãos e por último a minha mãe, o desgaste na minha saúde foi muito grande, passei por duas cirurgias que me deixaram sequelas, estou passando por uma crise de depressão que incomoda, porque eu sinto que está ficando difícil conviver comigo.

Eu não tenho mais alegria com nada e quando a gente perde a vontade de viver fica difícil buscar ajuda da ciência e acaba se isolando de tudo e de todos, eu já começo a pensar que estou vivendo de lambuja tudo que vier agora é lucro. Ao mesmo tempo eu percebo que tenho muito que fazer para não deixar tantos problemas. Uma coisa é você estar impossibilitado de ser produtivo e outra é você procurar com as próprias mãos problemas que só você deverá resolver.

Eu estou com tantos problemas insolúveis que não poderá jamais ser deixado como herança para ninguém, caso o contrário fica a dúvida será que valeu a pena viver, mas deixo uma certeza para quem duvida, que até mesmo os meus erros foram cometidos por amor à família; eu só peço a Deus que me dê uma chance de viver até ter a certeza de estar pronto para a partida final.

A primeira década do século vinte foi marcada por uma série de façanhas que marcaram o ilimitado poder de articulação que pratiquei junto aos poderes constituídos, mostrando que quando a gente quer, tudo é possível, entre outros eu processei o governo municipal, o governo estadual e o governo federal.

Todos por desrespeito aos direitos de cidadania e busquei junto ao Supremo Tribunal Federal à exigência do cumprimento as leis, graças a esta façanha eu retomei ao processo do apartamento que a juíza corrompida estava dando por encerrado.

Após as denúncias que fiz no Conselho Nacional de Justiça. Substitui o advogado que havia se bandeado e sugeri à justiça a penhora de quatro apartamentos para garantir o meu dinheiro.

Fato que foi deferido imediatamente, isto mostra que aprimorar os conhecimentos só tem importância quando colocado em prática; com isto eu tenho acumulado inimigos que não se conforma em perder pontos para um simples curioso auto de data que buscou o conhecimento sozinho nas jurisprudências brasileiras.

Eu consegui tirar aproveito da minha própria desgraça, eu me considero um profundo conhecedor da legislação e dos direitos constitucionais. Entre as muitas ameaças e aborrecimentos que estou sendo vítima, trotes no telefone, uma bomba que foi estourada em minha garagem, um carro preto que por várias vezes foi visto em frente à minha casa com os vidros fumê semiaberto.

Outro carro de cor escura que certa madrugada estacionou em frente à minha garagem e abriu todo o volume de seu som, isto além de outras ameaças veladas recebidas diretamente por políticos, e autoridades constituídas, mas eu adoro quando uma pessoa diz que vai me matar, a vida tem que ter adrenalina, do contrário a gente cai na monotonia, afinal prevalece aquele ditado cachorro que ladra não morde. 

Depois de tantos anos dedicados aos livros jurídicos em busca de erros cometidos por advogados e juízes, acabei percebendo que advogado é apenas uma ferramenta de trabalho que só se usa quando necessário, mas nunca podemos confiar por completo.

Pois, como qualquer ferramenta pode ser manuseada de maneira errada; portanto você tem que manter esta ferramenta sempre às mãos, à última palavra tem que ser a sua. Quando o seu Advogado se bandeia você está sendo duplamente traído. Você está pagando para ser roubada, a corrupção rende muito mais do que os honorários.

Comentei aqui alguns fatos mirabolantes que a ciência não tem uma explicação plausível, porém, trata-se de assuntos rotineiros na vida das pessoas, nas rodinhas de conversas sempre tem alguém contando histórias parecidas, por exemplo, no dia em que meu avô morreu a minha mãe dizia ter ouvido durante a noite insistentemente um cabrito berrando.

Quando a minha mãe morreu um cachorro uivou durante toda a madrugada em frente ao meu portão e por mais que eu o tocava voltava e continuava a uivar, a minha vida foi cercada de muitos mistérios sempre comunicando com o outro lado da vida. Este documentário teve como objetivo terapêutico buscar no meu passado a resposta para aquela pergunta chavão que a gente fica se perguntando, onde foi que eu errei?

Acabei descobrindo que a minha vida foi uma sucessão de erros intermináveis, que pena não poder voltar a trás para viver uma nova experiência passando este passado a limpo. Mas como eu me recordo de uma vida passada na qual eu era paulistano da região de Santa Cecília.

Quem sabe voltarei em uma vida futura para ter a oportunidade de uma vida cercada de todos os meus acertos e não cometer tantos erros grosseiros; isto é muito bom para ser verdade, você ter uma vida após a outra sempre se corrigindo esta História começou e percebo que nem tudo foi em vão porque eu tenho um grande orgulho do meu Filho.

Que hoje pela manhã me ligou da Espanha me dando os parabéns pelo meu aniversário, à tarde ele já estava na Itália participando de um curso em Turim buscando mais conhecimentos para acrescentar em seu currículo.

Eu só tenho que agradecer a Deus por permitir que eu vivesse para presenciar este momento tão importante na vida de meu Filho. Nas minhas idas e vindas em São Paulo em busca de atendimento médico.

Eu acabei descobrindo que eu me tornei portador de uma doença sem cura, trata-se de nefrocalcinose medular uma doença degenerativa dos rins. Como a ciência dos homens ainda não sabe quase nada sobre como tratar deste mal terrível.

Eu busco a ciência divina, porque sou adepto dos milagres da fé e tenho a certeza que serei curado, porque para o médico de todos os médicos não existe mal sem cura, existem mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa vá filosofia possa imaginar.

Como eu cheguei à conclusão de que a minha vida foi uma sucessão de erros, este é o mais consciente de toda a minha vida, quero render as minhas homenagens ao meu maior amigo de todos os tempos, o personagem desta história, foi à única pessoa que me restou para um bate papo, passo dias e noites conversando comigo mesmo.

Este é o meu conceito da morte, quando você olha para os lados e não tem a quem dirigir a palavra, quando você vai se deitar e não tem a quem dizer boa noite, quando amanhece e não tem a quem dizer bom dia, quando o seu relacionamento de amizade já não existe mais.

Quando isto acontece a uma pessoa é porque ela já morreu.
Quando você volta para o passado e tenta reviver a sua história acaba percebendo que a sua estrada chegou ao fim, seu futuro acabou o que estou vivendo hoje é apenas o que restou de ontem, mas é muito bom perceber que viver um dia após o outro, sem nem compromisso com o futuro, a gente acaba vivendo mais intensamente.

Com isto acabamos extrapolando a cada momento da vida, quando imaginamos que aquele momento pode ser o último; estou muito gratificado por entrando entrado o ano de 2020 junto com o que restou de ontem.

Dia 03 de Abril, aniversário de meu filho, que ao contrário de mim passou toda sua vida estudando. Com muita dificuldade, mas nunca desistiu, sempre caminhando com suas próprias pernas, espero que sua história de vida seja bem mais bonita que a minha, pois tem tudo para se projetar na vida.

A sua luta por justiça é muito parecida com a minha em época diferente e com muito mais capacidade científica, a sua luta por um dia melhor a nível nacional já mostrou que ele tem tudo para chegar a cargos muito mais importantes.
Eu gostaria de relatar aqui neste documentário uma série de outros fotos que presenciei na trajetória de minha vida.

Mais a ética e a moral me obriga a levar para o outro lado da vida segredos que não devo delatar, respeitando a privacidade de outros.
O que relatei no divagando pela vida foi um apanhado de lembranças da história de um cidadão que viveu intensamente a sua história e a história deste País, extrapolando as suas limitações.

Seria injusto não deixar a chance de que meus descendentes possam no futuro saber certas verdades distorcidas pela história Brasileira. Esta história está aberta ao público, e a quem possa interessar pela correção de falsas verdades camufladas no passado.

Se eu pudesse mudar parte do rumo desta história eu teria dado muito mais atenção e amor ao meu filho e talvez tivesse evitado que ele, assim como eu, tenha aos 16 anos de idade indo à busca de um mundo melhor.

Em uma mistura de lucidez e loucura, posso dizer que; nunca fui o pai que tentei ser e muito menos o amado amante de minha esposa e meus filhos, os grandes amores de minha vida.

Tudo só ficou na poesia de Roberto Carlos. Pois se perdeu nas curvas de minha estrada. Estou saindo desta história com a certeza de que milhões de outros brasileiros viveram histórias parecidas ou até mesmo mais sofridas e não tiveram a oportunidade nem a coragem de relatar, morrendo no anonimato.

Gostaria de incentivar para que outras pessoas escrevessem suas histórias e as tornassem públicas, colocando um basta na hipocrisia do capitalismo selvagem que domina este PaísCom a certeza que somente os loucos e as crianças dizem a verdade doa a quem doer.

Digo, valeu à pena cada segundo de loucura. Esta é minha versão da verdadeira historia da revolução. Sou um arquivo vivo. Pelo menos com a coragem para colocar o dedo nesta ferida.

Me orgulho muito de ter feito parte desta história. Que pena!

Atualmente eu me envergonho de ser BrasileiroPALMÉRIO.